Para entrar no clima das festas mais deliciosas do ano, não poderia haver combinação melhor que unir a queridinha paçoca com o amado chocolate! Vamos conferir?


Eu adoro beber um cafezinho acompanhado de casquinhas cristalizadas em açúcar.
Quando fizemos as tangerina ponkan com chocolate para o Projeto Receitas da Estação  e aquelas cascas PERFEITAS ficaram ali, vazias, olhando pra mim, percebi que era um sinal! 🙂 Ali estava a oportunidade de finalmente fazer as minhas próprias casquinhas de tangerina cristalizadas e ainda evitar o descarte de algo tão interessante.
Foi preciso investir um tempo de espera para o preparo das cascas, mas valeu a pena!
As casquinhas de tangerina podem ser servidas de diversas maneiras com um cafezinho, chá da tarde, bolo, biscoitos e smoothies.



Em novo artigo, nossa parceira, a colunista Mariana Bontempo, autora do blog Vida de Cozinheiro, traz uma visão geral de um tema muito pouco conhecido, mas que traz possibilidades concretas para todos nós que fazemos compras em grandes cadeias de supermercados e nos preocupamos com as informações e sobre a origem dos alimentos que consumimos.

Rastreabilidade de alimentos

Você sabe de onde vem o que você come? Da fazenda? Da indústria? Do pequeno produtor de orgânicos? Para descobrir basta ler o rótulo, não é mesmo? Nem sempre! Existem informações fundamentais para a a nossa saúde alimentar que não estão ali, nas embalagens.
Detalhes “ocultos” que começam a ser conhecidos através da rastreabilidade dos alimentos. O nome é complicado, mas o processo é bem simples! E parte da ideia de que tudo que é produzido tem uma identidade e, portanto, merece um registro digital!
ASalvo os potadores de mutações genéticas, todos nós temos impressão digital! Forto: imageafter.com

Salvo os portadores de mutações genéticas, todos nós temos impressão digital! Foto: imageafter.com

Isso. Nada muito diferente da gente! Você tem nome, certo? Tem registro, telefone, endereço… Os alimentos também! A diferença é que, no nosso caso, já nascemos com a digital (prova irrefutável da nossa unicidade) que facilita todo o processo.

Afinal, “Marianas” são muitas (381.778 de acordo com o site do IBGE) e, talvez, até exista outra Mariana Bontempo Adaid nesse “Brasil de meu Deus”. Mas com as linhas dos meus dedos consigo provar que eu sou eu!

De tão precisa e eficaz, essa marca natural serviu de inspiração para muitas invenções. Quem não conhece o famoso código de barras? A representação visual de uma sequência numérica é usada pelo ramo alimentício desde a década de 70.

Detalhe curioso (pra quem adora conhecer a origem das coisas): esse desenho tão simples (e complexo!) foi criado a partir da combinação de duas tecnologias existentes: o código Morse a as bandas sonoras dos filmes. Dá pra acreditar? Genial, né!

Código de barras: bastante popular! Foto: elpnow.com

Código de barras: bastante popular! Foto: elpnow.com

Mas a genialidade, no entanto, era somente à serviço da logística desse mercado de alimentos. Para nós, consumidores, ter ou não essas barrinhas nos produtos pouco importava. E foi assim durante muitos anos.

Até o dia que o uso da internet ultrapassou os limites da academia e o acesso a ela se tornou mais democrático. Milhões de pessoas passaram a ter um celular plugado à rede mundial de computadores e diversos programas para esse novo “brinquedinho” foram inventados.

Um destes aplicativos foi o leitor de código de barras que, agora, não tem mais só a função de catalogar produtos da indústria. Ele também nos permite conhecer a origem do alimento que está sendo vendido pelo ramo alimentício.

“Detalhe” que, até hoje, pode ter passado despercebido por você mas que está lá, no rótulo de praticamente todos os itens que você comprou ontem no supermercado!

Foto: espacoorganicoenatural.com.br

Foto: espacoorganicoenatural.com.br

Claro, nem tudo são flores. Atualmente só as grandes redes são capazes de nos prestar esse serviço com eficiência. No Brasil, então, somente os hipermercados Carrefour (na opção rastreie seu produto) e o Walmart disponibilizam informações sobre os produtos comercializados por eles.

Para tanto, basta instalar um programa de leitura de código no seu smartphone, acessar o aplicativo, enquadrar as barrinhas na tela e obter, automaticamente o bar code informado pelo programa (uma sequência numérica enorme).

Rastreando seu produto no site do Carrefour.

Rastreando seu produto no site do Carrefour.

Aí é só acessar os sites do Carrefour (na opção rastreie seu produto) ou do Walmart, digitar esse número no local indicado pelos sites dos dois supermercados e descobrir a ficha completa do que você está levando pra casa!

Para os produtos não comprados em uma dessas duas redes o leitor até funciona (vai informar o código numérico – que não será identificado nem pelo Carrefour e nem pelo Walmart – sim, eu testei!) mas não serve pra nada porque vai te direcionar, apenas, para sites de venda, que informam o básico. E o básico você já tem no rótulo, né?

Rastreando seu produto no site do Walmart.

Rastreando seu produto no site do Walmart.

Mas já tem rótulo trazendo outra marca, bem mais interessante que as linhas de espessuras diversas… Na verdade, ela é o aperfeiçoamento do código de barras e não é só o nome que é mais pomposo… Já adivinhou? Estamos falando do QR Code, o símbolo que, literalmente, redesenhou nosso conceito de consumidor!

QR Code é a evolução do código de barras e foi desenvolvido por japoneses. O termo QR deriva de Quick Response, que, em inglês, significa resposta rápida. Tão veloz quanto a multiplicação da funcionalidade desses quadradinhos.

Tudo porque é muito fácil decodificá-lo! Basta ter um celular smartphone (com um programa de leitor de QR Code instalado) apontar para a imagem e pronto!

Aquela figura esquisita, formada por quadrados e pontos, é “lida” pelo aplicativo e convertida em um texto, um link, uma imagem, um e-mail, um site…

O QR Code pode estar relacionado à qualquer informação. Basta decodificá-lo! Foto: cartilha rastreabilidade Sebrae.

O QR Code pode estar relacionado à qualquer informação. Basta decodificá-lo! Foto: cartilha rastreabilidade Sebrae.

Tudo vai depender da vontade do criador do código, e este pode ser qualquer um, até você! Isso, gerar um QR Code é bem simples!

Basta acessar um site gerador de código (eu só uso o br.qr-code generator.com), selecionar a opção do que deverá conter no símbolo e mandar gerar a imagem (que fica pronta na hora). Aí é só enviá-la, imprimi-la ou colocá-la numa arte virtual…

Tecnologia usada também no blog Vida de Cozinheiro! As postagens com as frases dos grandes Chefs, divulgadas em nossas redes sociais, vem com QR Code informando a matéria da qual tiramos a citação.
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E essa informação “a mais” faz toda a diferença! Primeiro porque complementa a mensagem e, depois, porque é transmitida sem o comprometimento visual do recado (que, nesse caso, é a frase em si).

Claro, como toda tecnologia, o sistema custa caro e ainda não é disponibilizado por todos os vendedores de produtos alimentícios. Na verdade, nos últimos anos, o QR Code tem sido muito usado mesmo ações de marketing e comunicação.

Mas esse cenário está mudando e a tecnologia de rastreabilidade dos alimentos, aos poucos, começa a incorporar o QR Code nos rótulos.

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“Evolução”que já pode ser presenciada em dois hipermercados atuantes no Brasil. No Carrefour e no Grupo Pão de Açúcar (Pão de Açúcar e Extra) o QR Code já pode ser visto nas gôndolas de quase todos os produtos vendidos.
E quando digo “tudo” é tudo mesmo! E o produto nem precisa estar embalado, ter caixa ou marca. Da carne, passando por uma simples maçã e chegando aos cereais vendidos a granel qualquer alimento, tendo o QR Code informado pelo produtor, pode ser rastreado!
Carne vendida pelo Carrefour: código de barras e QR Code! Foto: beefpoint.com.br

Carne vendida pelo Carrefour: código de barras e QR Code! Foto: beefpoint.com.br

Mas por que mesmo isso é tão importante? Porque é a forma mais segura de você, consumidor, ter a ficha completa de tudo o que está ingerindo! E segurança alimentar é saúde! E saúde é qualidade de vida!

E é por isso que eu só vou às compras com celular na mão, rastreando todas marcas! Principalmente as desconhecidas que oferecem grandes vantagens como preço bem abaixo do normal ou com rótulos destacando as qualidades “sem conservantes” e “produto orgânico”.
Hábito tão simples e necessário que virou campanha do Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (IDEC).
Campanha "De Onde Vem?" do IDEC pela rastrealibidade dos alimentos!

Campanha “De Onde Vem?” do IDEC pela rastrealibidade dos alimentos!

Com  o título “De Onde Vem?“, o IDEC pretende alertar a população (leia-se eu, você, todos nós) sobre a importância dessa preciosa ferramenta.
Afinal, não se trata somente de conhecer todas as etapas do processo de produção do que a gente come! Fazer essa pesquisa no mercado, através da decodificação do QR Code de um produto à venda, é um verdadeiro exercício da sua cidadania!
Isso: ci-da-da-ni-a. Sabe por quê? Porque através dessa prática simples dá para identificar até se foi empregada mão de obra irregular na produção do que você está levando pra casa!
Arte adaptada do site: paripassu.com.br

Arte adaptada do site: paripassu.com.br

É assustador (e quase impensável nos dias de hoje) mas, de acordo com dados da Comissão Pastoral da Terra, publicados em janeiro desse ano, a utilização de mão de obra escrava na pecuária e no extrativismo vegetal só perde para a construção civil.

Outra questão não menos importante, também desvendada pela decodificação desse pequeno quadrinho pixalizado, é a presença de agrotóxicos no produto a ser comprado. De acordo com o Ministério do Meio Ambiente, o Brasil é o maior usuário de venenos agrícolas do mundo.
Com a decodificação do QR Code dá para saber se o alimento é seguro ou não. Foto: saude.pr.gov.br

Com a decodificação do QR Code dá para saber se o alimento é seguro ou não. Foto: saude.pr.gov.br

Sem falar na garantia da segurança alimentar que este pequeno símbolo proporciona, principalmente aos consumidores portadores de alergias alimentares ou que tenham alguma restrição alimentar.
Foto: portaldoagronegocio.com.br

Foto: portaldoagronegocio.com.br

Assim, o consumidor terá a certeza de que esse alimento não irá oferecer riscos à sua saúde. Uma garantia que, infelizmente, ainda não vale pra tudo!

Apesar das maravilhas proporcionadas pelo uso do QR Code, informar a origem e o caminho percorrido pelos alimentos até o supermercado ainda não é obrigatório no Brasil.

Foto: paranacooperativo.coop.br

Foto: paranacooperativo.coop.br

Mas a intenção de tornar a prática uma lei já é realidade. Tanto que, em outubro de 2013, por meio de uma portaria, a ANVISA criou o Grupo de Trabalho sobre Rastreabilidade. O objetivo inicial da ação é monitorar o uso de agrotóxicos, mas já é um avanço, não é mesmo?

E outra boa notícia: se você ainda não sabe o que está comendo, pelo menos os grandes varejistas de alimentos já sabem o que estão comprando!

Através do RAMA, programa de rastreabilidade e monitoramento de frutas, legumes e verduras, os supermercados têm a oportunidade de selecionar (de maneira consciente) os produtos que irão chegar até a nossa casa.
Programa desenvolvido pela Associação Brasileira de Supermercados. Foto: agrosoft.org.br

Programa desenvolvido pela Associação Brasileira de Supermercados. Foto: agrosoft.org.br

O RAMA foi desenvolvido em 2013 pela Associação Brasileira de Supermercados, a ABRAS e, em apenas 2 anos de implantação do projeto, 31 redes já escolhem “a dedo” o que será colocado seu no carrinho!

Arte da tabela: idec.org.br

Arte da tabela: idec.org.br

Isso porque estamos cobrando! E as iniciativas também começaram a ser implementadas no campo. Cada vez mais produtores rurais estão apostando na tecnologia e “enxergando” o QR Code como um diferencial!

QR Code: do campo para o seu celular... Foto: fapesc.sc.gov.br

QR Code: do campo para o seu celular… Foto: fapesc.sc.gov.br

Componente que agrega valor ao produto e ao seu conhecimento alimentar e nutricional! Vitória que não pode parar por aí! E a continuidade só depende de você!
De agora em diante, portanto, pare de comprar confiando apenas no “olhômetro”. Passe a levar o celular para feiras, mercados e quitandas, ok? Afinal, já não vivemos sem ele, não é mesmo? Por que não usá-lo em benefício da nossa saúde alimentar?
QR Code: infinitas possibilidades! Foto: cidasc.gov.br

QR Code: infinitas possibilidades! Foto: cidasc.gov.br

 

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Com um bom planejamento, é possível fazer qualquer coisa com crianças alérgicas, até mesmo viagens mais longas. O importante é saber como manter a criança segura durante a viagem, ao comer fora em restaurantes, fazer passeios turísticos, etc.

São muitas as questões que devem ser pensadas e planejadas, por isso, separamos algumas dicas para lhe ajudar a planejar os melhores dias do ano com sua família. Férias são maravilhosas, mas planejar bem significa deixar o stress de lado e se preparar para eventualidades com muita tranquilidade.

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Escolhendo o destino da viagem

Ao escolher um destino, pesquise sobre o local e faça a si mesmo as seguintes perguntas:

  1. É uma cidade grande ou pequena?
  2. É um vilarejo afastado, sem um centrinho?
  3. Existem hospitais, centros de atendimento em saúde e farmácias por perto?
  4. Qual é o idioma local (no caso de outros países)?
  5. Existem restaurantes preparados para receber alérgicos a certos tipos de alimentos?
  6. O quarto no hotel tem uma cozinha própria na qual posso preparar as refeições do meu filho?
  7. O hotel se disponibiliza a preparar algumas refeições com restrição de alimentos?
  8. Dentro do meu quarto de hotel há um frigobar para que eu possa armazenar o que levar pronto ou semi-pronto de casa?
  9. Se você pretende cozinhar no hotel ou onde se hospedar, há um supermercado (de preferência grande) perto do hotel?
  10. Será que seria melhor se hospedar em um apartamento (como os oferecidos por serviços como o AirBnB)? Pode ser que valha a pena tanto financeiramente como pela questão de segurança, principalmente se viajar com uma família grande.

Hoje em dia, com a Internet, podemos responder a tudo isso facilmente e assim, definir qual o melhor destino para aliar o útil ao agradável. É essencial pensar em situações de emergência que podem ocorrer e onde buscar ajuda. Por exemplo, funcionários de restaurantes que ficam no atendimento, muitas vezes podem não saber que na cozinha a batata é frita no mesmo óleo que fazem o camarão – e se o seu filho é alérgico a esse crustáceo, pode imaginar o tamanho do problema.

Ao chegar a seu destino, procure supermercados, mercearias, padarias e fornecedores que possam prover alimentos prontos que você tenha certeza que servem para as alergias e restrições de seu filho. Hoje em dia não é tão difícil encontrar por exemplo padarias ou mercados na Europa, Estados Unidos e mesmo na América Latina com fornecimento de produtos certificados sem glúten para celíacos ou intolerantes ao glúten.

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Viagens ao litoral oferecem a possibilidade de alugar uma casa ou apartamento, o que facilitará muito a sua vida e garantirá a segurança alimentar do seu filho. Caso a opção seja hotel e não haja flexibilidade quanto à alimentação, não desanime, parta para outras opções.

Uma excelente informação para quem está indo para os Estados Unidos: existe um site, o allergyeats.com, onde você pode localizar restaurante colocando o Zip Code (o CEP) do estabelecimento ou o nome do próprio restaurante, caso você tenha alguma indicação, inclusive na Disney. Uma tranquilidade e tanto, não é mesmo?

Falando na Disney, de experiência própria podemos dizer com tranquilidade: todos os restaurantes (restaurantes, não as cadeias de fast food) dentro da Disney oferecem todo o suporte para crianças e pessoas com alergias alimentares. Entre no site de reservas de restaurantes da Disney, procure se informar e reserve antes os breakfasts, almoços (ou mesmo jantares, se for o caso de seu horário nos parques) para os dias das visitas aos parques. E não é preciso se hospedar em hotel dentro dos parques para poder fazer reserva nos restaurantes. Ao fazer a reserva pelo site da Disney você poderá escolher várias opções de alergias alimentares entre as mais comuns. Mas não se preocupe com particularidades: quando você chegar lá no restaurante (tendo reservado antes, você “fura” a fila e vai ser logo atendido) o atendente vai ver em sua ficha que há restrições alimentares e marcará sua mesa. O próprio chef (ou um dos chefs) do restaurante virá em sua mesa, perguntará quem é o alérgico e ouvirá com calma suas particularidades. E ele então sugerirá um cardápio próprio para a criança, desde entrada, passando pelo prato principal até sobremesas. E se preciso fará algo especial para seu filho. Em geral o chef vai aconselhar fortemente que se o restaurante é daqueles que tem buffet, nada do buffet seja oferecido à criança. Isso porque ele sabe que mesmo se a criança puder comer algo que está lá, pode estar contaminado. E ele vai até explicar que em todos os restaurantes há uma forno, ou parte separada da cozinha onde se cozinham comidas especiais para os alérgicos, dada a procura que existe lá com crianças alérgicas. Depois de conversar direitinho, ele ainda vai te dar várias opções para você escolher e montar a refeição da sua criança, que será preparada na hora. E você vai ver seu filho ou filha ser tratado como príncipe ou princesa!

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Em duas viagens diferentes que fizemos para lá, experimentamos restaurantes diversos dentro dos vários parques da Disney e nunca tivemos problemas em nenhum e sempre fomos muito bem atendidos. O preço será um pouco maior do que nas cadeias de fast food, mas se você está indo à Disney com as crianças, vale muito a pena esse gasto a mais para ver as crianças se alimentando com prazer e com segurança. Disney é Disney!

Outros parques de entretenimento em Orlando (como a Universal) em outros lugares nos Estados Unidos começam a seguir a liderança da Disney e oferecer opções para alérgicos, entretanto cada caso é um caso e é importante pesquisar no site de cada um deles.

Seja em que país for, é fundamental usar extensamente a Internet para pesquisar as opções em seu destino de viagem.

Tipos de alergia e gravidade

Se a viagem for dentro do Brasil, apenas leve consigo os medicamentos de emergência que a criança pode precisar e tenha em mãos telefones e endereços de farmácias 24 horas e de hospitais. Se possível, faça uma pesquisa se a farmácia vende os medicamentos que você costuma utilizar, dentro ou fora do país.

Viajando para o exterior, leve em todos os lugares a que você for uma declaração médica sobre o tipo de alergia, o grau de sensibilidade e as restrições alimentares da criança traduzidos para o idioma local. Se não for possível, apenas em inglês será bem aceito em diversos lugares. Ainda fora do país, pesquise quais são os alimentos típicos a que seu filho poderá ter acesso.

A sensibilidade a traços do alimento também é uma questão delicada e as perguntas feitas no início deste texto devem ser revistas com mais atenção. O hotel pode até ser flexível e preparar as refeições sem o alimento alergênico, mas não é possível garantir que uma contaminação cruzada ocorra. Nesse caso, vale investir na pesquisa por apart-hotéis, apartamentos, pousadas ou chalés com cozinha.

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Cozinhar nas férias ou na viagem parece programa de índio, não? Mas se tudo for feito sem stress e sempre junto com a família, a experiência pode se tornar uma rotina super agradável, prazerosa além de saudável. O importante é que a família toda ajude e divida as tarefas e que seja separado sempre um bom tempo do dia para comprar e preparar a comida. No fim, o que é uma tarefa pode ser compartilhado por todos e ainda pode render uma economia em relação a comer em restaurantes, muitas vezes caros.

O risco da contaminação cruzada

Se o hotel onde você se hospedar disponibiliza refeições sem a fonte alergênica, certifique-se de que eles separam os utensílios de cozinha utilizados. Por exemplo, um suco de laranja não pode ser feito no liquidificador utilizado para fazer uma vitamina com leite, principalmente se o eletrodoméstico não for bem lavado. É válido também o exemplo que demos acima do sobre o óleo para fritura nos restaurantes.

Atenção com facas, colheres e garfos no buffet do café da manhã do hotel, assim como os utilizados nos restaurantes. Se possível, leve os próprios talheres da criança; desse modo, qualquer possibilidade de contaminação será afastada.

Em geral, mesmo que em alguns hotéis haja alguma indicação de que existem algumas comidas preparadas sem alergênicos, a contaminação na cozinha do hotel é praticamente impossível de ser evitada. Para crianças com alergias graves, o melhor é se precaver e não consumir comida pré-preparada no hotel, principalmente se for de um buffet, como geralmente é o caso.

Dicas importantes

  • Leve um kit com os principais medicamentos com você.
  • Leve as prescrições das receitas dos principais medicamentos traduzidas para o inglês ou, se possível, para a língua local.
  • Pesquise sobre os alimentos industrializados que seu filho pode consumir.
  • Leia os rótulos com atenção. A leitura dos rótulos continua sendo imprescindível, então se você estiver em outro país e não dominar a língua local, peça ajuda a uma pessoa nativa para lhe ajudar a ler os rótulos. Outra possibilidade é ter sempre à mão uma aplicação em seu celular para traduzir os nomes dos ingredientes que você ler nos rótulos. Com uma certa prática, uma aplicação dessas pode facilitar bastante.
  • Pesquise restaurantes e supermercados allergy-friendly no destino.
  • Ande com lenços umedecidos e álcool em gel para limpeza das mãos.
  • Leve seus medicamentos e lanches dentro do avião – na bagagem de mão. Em pequenas quantidades eles costumam ser aceitos quando passam no raio-X.
  • A maioria das empresas aéreas ou os controles de segurança dos aeroportos conhecem bem o que é uma caneta injetora de adrenalina. Então não fique com receio e ao passar no controle de segurança, explique e fale o nome da marca que é a mais conhecida: Epipen. Todos vão entender o que é e você não terá problemas ao passar no controle.
  • Converse com a tripulação do avião, os garçons dos restaurantes, funcionários de hotel, etc., para que não ofereçam algo sem a sua permissão. Comunique-se, seja delicado mas bem objetivo nas informações.

Boa viagem!

Em resumo, viajar com crianças alérgicas hoje em dia não só é possível como é cada vez mais fácil. Dá um certo trabalho, mas toda viagem sempre dá um certo trabalho para planejar. Use os recursos da tecnologia e da Internet, planeje bem, envolva toda a família e boa viagem!

 

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Referências:

1 Dicas para viajar com segurança com alergia alimentar. Por Renata Pinotti para Danone Nutrição.
2 Dicas para viajar com crianças com alergia alimentar. Viajando com Pimpolhos. Out/12.
3 Contaminação cruzada: um risco para criança com alergia alimentar. Por Patrícia Cerqueira.
4 7 Road Trip Tips for Travel with Food Allergies. Kids with Food Allergies. Jun/15.
5 Travelling Abroad with a Food Allergy. Allergy UK.
6 Allergy Friendly Hotels, Destinations and Food Allergy Tips. Pinterest Board.

Nosso Projeto Chocolate continua com mais uma receita sensacional! A clássica Palha Italiana! Você nunca pensou na gostosura que pode ser a cozinha inclusiva, sem glúten, sem leite, sem ovos? Está aqui para provar a nossa parceira Silvia Kawaguti, criadora do portal Não Contém Glúten. A receita é fácil e o resultado é de dar água na boca! De quebra, ela usa um maravilhoso leite de condensado de arroz para o recheio! Olhe só!



Reações gastrointestinais e respiratórias começaram a ser notadas quando seu filho ingeriu alimentos e produtos compostos por proteínas encontradas no leite. Ao procurar o médico, o diagnóstico foi dado: a criança possui um tipo de alergia conhecida como APLV (alergia à proteína do leite de vaca)1,2.

Mais comum do que se imagina, dados apontam que entre 2 e 3% das crianças com idade inferior a 3 anos no Brasil são portadoras desta condição13.

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Muito diferente da intolerância à lactose, a APLV se caracteriza como uma reação do sistema imunológico quando há o consumo de proteínas do leite de vaca, sendo que a mínima quantidade desta proteína já é capaz de desencadear quadros de sintomas cutâneos, como descamação e coceira na pele, bem como problemas intestinais e respiratórios, sem contar a temida anafilaxia.

Para lidar com a APLV e propiciar melhor qualidade de vida às crianças acometidas desta alergia, é possível lançar mão de algumas estratégias; elas irão ajudar tanto os pais quanto as crianças, que terão minimizados os impactos da APLV em seu dia a dia.

Confira a seguir dicas para enfrentar a APLV e aprenda a lidar melhor com a alergia ao leite de vaca em crianças. Além das dicas deste artigo, se você se preocupa com a inclusão da criança alérgica em diversos ambientes sociais compostos por não alérgicos, não deixe de ler este artigo sobre o tema em nosso portal.

Dicas para enfrentar a APLV

Em casa

No ambiente doméstico é necessário fazer algumas mudanças quando se tem o diagnóstico de crianças com APLV. Com a restrição alimentar do bebê, toda família acaba “entrando na onda”.

Até mesmo porque, se o bebê ainda mama no peito, será necessário que a mãe faça a dieta de restrição, de modo a não mais “transmitir” as proteínas que fazem mal à criança através do próprio leite.

Entre alguns dos cuidados que devem ser levados em consideração, é importante não apenas traçar um plano alimentar que restrinja a inclusão de alimentos que tenham proteínas do leite de vaca, como também ficar de olho na limpeza dos utensílios utilizados na alimentação, haja vista que eles, apesar de limpos, podem funcionar como depósito de substâncias capazes de desencadear a alergia nas crianças2.

Para evitar este tipo de contaminação cruzada, você pode isolar estes objetos e usá-los exclusivamente para alimentos e produtos que não contenham leite e a proteína do leite3. Isto inclui desde o copo do liquidificador, até a esponja de lavar a louça.

Outra dica importante é ficar atento ao pronto-socorro mais próximo. Não se trata de criar uma ansiedade ou pensar no pior, apenas devemos levar em conta que ingestões acidentais acontecem. Saber a localização do hospital mais próximo agilizará a situação em casos de urgência. Anote todos os telefones e endereços dos hospitais mais próximos e deixe-os com quem, por ventura, estiver tomando conta da criança na sua ausência.

Deixe sempre à mão toda a medicação a ser usada em caso de emergência, juntamente com instruções claras do uso da mesma. Por vezes, a criança apresenta reações graves nos momentos em que estão com pessoas sem a mesma prática que os pais para atender.

É interessante também a confecção de um diário alimentar, onde serão registrados: todos os alimentos ingeridos pela criança4, os remédios administrados (e o horário em que a criança foi medicada) e a ocorrência de reações alérgicas (anote os sintomas). Ter esse registro diário facilitará a identificação do alimento causador da reação alérgica. Importante: leve o diário nas consultas com o médico ou nutricionista.

Um dos maiores objetivos para a dieta da criança com APLV é manter o crescimento da criança de forma saudável. Assim, lembre que é fundamental procurar sempre avaliar com esses profissionais (pediatra e nutricionista) a necessidade de reposições, principalmente do cálcio, e como administrar a inserção de novos alimentos.

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É em casa também que a atitude positiva em relação a alergia deve ser estimulada. Isso irá ajudar seu filho na questão da autoestima. Neste sentido, é importante não dramatizar, mas sim encarar a questão de maneira natural, superando os obstáculos e propiciando à criança qualidade de vida e inclusão social. Conversar com os pequenos de maneira aberta e sincera, expor os motivos de não poder comer algo, explicar de forma simples por que algumas crianças sofrem alergia, e se colocar no lugar das pessoas com alergia à proteína de leite de vaca é fundamental para lidar com esta problemática5.

Na escola

Sabemos que a escola é um dos primeiros contatos que temos com a vida externa, fora do aconchego do lar. E é exatamente na escola que os ensinamentos e conversas que você teve com a criança serão colocados em prática. É preciso ter em mente que é possível conviver da melhor maneira possível com crianças que não são acometidas de APLV.

Ao matricular seu filho na escola, é necessário desde o início preencher uma ficha médica, detalhando a questão da alergia, quais são os sintomas, bem como o contato do médico e como proceder na ocorrência de uma crise6.

Consulte seu médico sobre a possibilidade de montar um kit com a medicação a ser usada em caso de uma crise. Junto com a medicação deve estar detalhada a dose e forma de administração. Quando for incluir este kit no material da criança, faça uma reunião com os educadores que vão lidar com ela, para que eles se sintam seguros no uso dessa medicação. Para crianças com risco de crise anafilática, é fundamental que esse kit contenha uma caneta injetora de adrenalina.

Tais informações preenchidas pelos pais a respeito dos filhos devem ser de fácil acesso pelos profissionais da escola, caso contrário serão ineficazes e poderão gerar incidentes. Portanto, averigue junto à direção da escola a respeito do armazenamento destas informações.

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Como a criança é nova no ambiente escolar, é normal que poucas pessoas saibam que ela necessita de uma dieta restritiva, o que pode acarretar em uma série de equívocos e levar ao consumo de alimentos com a proteína do leite. Portanto, até que todos do grupo escolar estejam cientes, uma boa dica é manter nos pertences da criança frases como “ Não me ofereça alimentos que contenham leite” ou “Sou alérgico a ‘x’ alimento”, etc. Este procedimento simples irá ajudar a evitar problemas.

Para mostrar de forma ainda mais enfática a importância de conversar com os educadores para que eles fiquem de olho no momento em que as crianças estão fazendo a sua refeição e também para que eles estejam preparados a agir em caso de necessidade, digamos que o lanche de um coleguinha contenha alérgenos com os quais seu filho não pode ter contato; inocentemente, o coleguinha resolve experimentar o lanche do seu filho e faz isso com as mãozinhas sujas do seu próprio lanche, deixando resíduos de sua comida no prato errado. Na próxima colherada que seu filho der pode ser que uma crise alérgica venha a ocorrer7.

Mas deixe claro que, independente do risco de contaminação cruzada, seu filho nunca deve ser separado para fazer as refeições.

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O mais prático a se fazer é preparar o lanche ou refeição do seu filho para que ele leve à escola. Como a merenda, via de regra, não possui um cardápio exclusivo para crianças com APLV e com alergia ao leite, esta é a maneira mais segura de garantir a diminuição das chances de ele sofrer alguma reação.

Peça aos educadores da escola que notifiquem quando estiver programado algum evento festivo, onde serão servidas guloseimas às crianças. Assim, sempre será possível enviar uma versão segura para ser oferecida para seu filho. Haverá inclusive ocasião para que ele possa oferecer e compartilhar de forma segura suas guloseimas com os colegas e equipe da escola.

Devemos considerar também outro ponto relevante no tocante às atividades escolares. O simples uso de determinado tipo de material escolar pode causar alergia, uma vez que ela se dá não somente pelo consumo, mas também pela inalação e contato.

Giz de cera e massinha de modelar, bem comuns nas primeiras séries de escola, são as campeãs neste sentido. Para evitar que ocorra a reação alérgica, peça para a escola informar a marca dos produtos a serem utilizados. Se necessário, peça as embalagens dos mesmos e procure entrar em contato com a empresa que produz o material e questione sobre todas as substâncias utilizadas no produto para evitar o processo alérgico.

Adotar medidas preventivas como estas, conversar com outras mães e toda a comunidade escolar, irá ajudar e envolver a todos na questão da APLV, o que irá otimizar a inclusão da criança no contexto escolar e evitar situações de risco para a saúde de seu filho na escola.

A Legislação nas Escolas

Existe uma Lei Federal8 que regulamenta que escolas públicas devem oferecer um atendimento especial (em termos de alimentação) para crianças portadoras de restrições, e certamente alergias alimentares e a APLV se incluem dentro desse quadro.

Mesmo com a existência da lei, sabemos que a maioria das escolas brasileiras não está preparada para oferecer uma alimentação especial para alérgicos em suas dependências, seja por falta de cultura sobre o assunto, falta de treinamento ou falta de informação sobre o potencial da gravidade de uma reação alimentar em crianças alérgicas.

Por todos esses fatores, a recomendação que se pode fazer – depois de um diálogo franco e aberto com a direção da escola – é manter a dieta da criança sob controle levando a comida pronta de casa. Se necessário, podem ser enviados até mesmo os utensílios de uso pessoal da criança (prato, talheres, canecas, etc.). Sabemos de vários casos de reações alérgicas ocorridos em escolas despreparadas para lidar com esse tema; portanto, para não correr riscos, previna-se tomando todos os cuidados necessários com a alimentação da criança.

Na viagem

Nada como viajar de férias, certo? Mas quando se trata de viajar com uma criança diagnosticada com APLV, a preocupação de muitas mães é grande. No entanto, seguindo algumas dicas e procedimentos, sua viagem terá tudo para ser bem-sucedida!

Antes de viajar, ao escolher o hotel ou pousada para a estadia, verifique a localização do hospital mais próximo, ou postos de saúde. Anote contatos e telefones. Na viagem, carregue alimentos de acordo com a dieta restritiva da criança, haja visto que nem sempre será fácil encontrar onde comprar. Comida congelada é uma ótima alternativa neste sentido9.

No caso de crianças que já passaram por algum caso de anafilaxia em função da APLV, recomenda-se levar um kit com a caneta injetora de adrenalina (devidamente receitada e recomendada por um especialista – um médico alergista que acompanhe o caso da criança alérgica). O kit com a caneta de adrenalina deve ser levado na bagagem de mão acompanhado da receita. Durante todos os passeios da viagem, o kit nunca deve estar longe da criança e o ideal é que crianças mais velhas já sejam acostumadas a levar seu próprio kit na mochila ou em uma pochete na cintura. Para crianças mais novas, os pais devem levar sempre a caneta de adrenalina.

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Verificar com o médico alergista quais outros medicamentos podem ser usados no caso de uma emergência e incluir neste mesmo kit.

Se alimentar fora de casa sempre é um desafio para crianças alérgicas, mas não é tão difícil tornar isso uma rotina tranquila, sem stress, o que é muito importante nas viagens, principalmente de férias, não? Veja mais dicas sobre como se preparar para se alimentar fora de casa neste artigo em nosso portal.

Leitura dos rótulos

Quando somos notificados de que a criança possui a APLV, começamos a desenvolver diversas habilidades, no intuito de proporcionar melhor qualidade de vida para a criança. Uma destas habilidades é a leitura de rótulos. Afinal, como não é qualquer alimento que as crianças podem ingerir, tampouco manusear, no caso de brinquedos, material escolar, etc., começamos a nos ater aos rótulos para identificar as substâncias contidas e se elas são ou não permitidas para as crianças.

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Este “trabalho extra” está chegando ao fim, pelo menos no que diz respeito aos alimentos, uma vez que estamos próximos à data em que a nova regra da ANVISA (RDC n. 26/2015) que obriga a identificação da presença de alergênicos nos rótulos entrará em vigor10. A resolução passa a valer em Julho de 2016.

Enquanto isso não ocorre, devemos fazer a leitura e identificar item por item nos rótulos a composição dos alimentos.

Produtos proibidos

Pessoas diagnosticadas com a APLV, como sabemos, sofrem uma série de restrições alimentares. Veja a seguir alguns dos ingredientes que não devem ser consumidos e que você precisa identificar nos rótulos dos produtos11:

  • Caseína
  • Caseína hidrolisada
  • Caseinato de cálcio
  • Caseinato de potássio
  • Caseinato de amônia
  • Caseinato de magnésio
  • Caseinato de sódio (ou estabilizantes com caseinato de sódio)
  • Chantilly (pode conter caseinato)
  • Creme de leite
  • Soro de leite deslactosado/desmineralizado
  • Gordura de leite
  • Coalhada
  • Proteína láctea
  • Proteína de leite hidrolisada
  • Whey Protein (proteína do soro de leite em inglês)
  • Lactoalbumina
  • Lactoglobulina
  • Fosfato de lactoalbumina
  • Lactato
  • Lactoferrina
  • Lactulose
  • Lactulona
  • Leite (integral, semidesnatado, desnatado, em pó, condensado, evaporado, sem lactose, maltado, desidratado, fermentado, etc.)
  • Leitelho
  • Nata
  • Nougat
  • Soro de leite
  • Fermento lácteo
  • Gordura de manteiga, óleo de manteiga, éster de manteiga
  • Composto lácteo, mistura láctea
  • Lactose (é o açúcar do leite e não é alergênico, mas se tiver lactose no alimento provavelmente terá a proteína).

Todos esses ingredientes se referem às diferentes proteínas do leite. Os alergênicos são exatamente essas proteínas que devem ser evitadas em qualquer quantidade, pois mesmo traços podem causar reações em algumas crianças. No entanto, se houver “lactose” presente no rótulo de qualquer produto pode haver também a proteína e apenas por isso estes produtos também devem ser evitados11.

Há alguns ingredientes que podem indicar presença de leite e derivados e que merecem atenção. São eles12:

  • Corante/saborizante (flavorizante) caramelo
  • Saborizantes (flavorizantes) naturais ou artificiais
  • Sabor artificial de manteiga
  • Nougat
  • Sabor de açúcar mascavo
  • Chocolate

Já os ingredientes seguintes NÃO possuem leite12:

  • Lactato de cálcio
  • EstearoilLactilato de cálcio
  • Lactato de sódio
  • Cremor de Tártaro
  • Manteiga de cacau
  • EstearoilLactilato de sódio
  • Leite de coco

Os alimentos seguintes são fonte de cálcio e podem, por vezes, ajudar a substituir o leite1:

  • Agrião
  • Rúcula
  • Espinafre
  • Brócolis
  • Couve
  • Ameixa seca
  • Gergelim
  • Amêndoas
  • Aveia
  • Sardinha

Fundamental se lembrar que: a expressão “Sem Lactose” no rótulo não garante que o produto é seguro e será isento das proteínas do leite. Lactose é lactose e proteína é proteína.

Importante: mesmo informado sobre os alimentos que podem substituir elementos do leite, para garantir um bom equilíbrio nutricional, nenhum alimento deve ser introduzido na dieta de crianças alérgicas sem o acompanhamento de um nutricionista e de um médico alergista.

Seguindo essas dicas você conseguirá proporcionar mais qualidade de vida ao seu filho e lidar melhor com a APLV. O desafio é sempre imenso à primeira vista, mas com determinação conseguimos fazer a adaptação e chegar a uma meta de inclusão com saúde!

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Agora, conte para nós: que dicas, ideias e macetes você costuma utilizar no tratamento e convívio com a APLV?

Referências

1 Eu Posso Isso! – Saiba Mais Sobre a Alergia à Proteína do Leite de Vaca
2 Alergia ao Leite de Vaca – Alergia Alimentar Dieta em Família
3 BabyCenter Brasil – Manual da mãe de um bebê APLV
4 Mundo Sem Leite – Diário Alimentar
5 Macetes de Mãe – Alergia Alimentar: Adaptação, Inclusão, Superação
6 Folha Viva Vitória – APLV: 6 Dicas para a Sala de Aula
7 Eu Posso Isso! – Como Enviar o Filho Alérgico Para a Escola Com Segurança
8 Governo Brasileiro – Lei 12982 de 28 de Maio de 2014 e Lei 11947 de 16 de Junho de 2009
9 Alergia ao Leite de Vaca – Convivendo com Alergia – Material de Apoio
10 ANVISA – Resolução – RDC Nº 26, de 02 de Julho de 2015
11 Alergia a Leite – Rótulos e Produtos Proibidos
12 Sem Lactose – Lista de Produtos para Alérgicos às Proteínas do Leite
13 ASBAI – Guia prático de diagnóstico e tratamento da Alergia às Proteínas do Leite de Vaca mediada pela imunoglobulina E

É extremamente comum o fato de pessoas com alergia ou intolerância alimentar sentirem-se chateadas e excluídas por não poderem comer de tudo. E quando são convidadas a certos programas com amigos ou familiares, elas simplesmente recusam. Algumas até chegam a se sentir mal ao verem seus familiares constrangidos por comerem alimentos que elas não podem ingerir.

Comer fora de casa pode ser ainda mais desagradável para as crianças. Alguns pais, inclusive, desistem de levar seus filhos para festas de aniversário de amigos, o que certamente os deixa bastante tristes. É por causa desses e outros motivos que muitas pessoas preferem evitar comer fora de casa. Mas enquanto umas se privam desse prazer, outras simplesmente tomam algumas medidas para que o cotidiano não seja tão afetado.

Uma dessas medidas é levar um lanche ou até mesmo uma refeição completa feita em casa para o encontro em uma marmita, por exemplo1. Assim, a pessoa que sofre com alergia ou intolerância alimentar não se sente excluída e, ao mesmo tempo, não corre o risco de ingerir algum alimento que não possa comer. Esta medida deve ser adotada não apenas para idas a restaurantes, como também a bares, buffets e piqueniques.

Dicas para comer fora de casa

Planeje-se com bastante antecedência

Antes de tudo, é preciso conhecer o lugar onde se vai comer. Se quem escolhe o restaurante é você, então recorra à internet e busque o site ou as páginas que o estabelecimento mantém na redes sociais e veja se ele disponibiliza de um menu online. Neste menu, verifique as opções de pratos e veja se algum deles é adequado para a sua dieta. Prefira restaurantes que ofereçam menus separados para dietas sem glúten, leite, ovos, etc. Quando privilegiamos os restaurantes, padarias, lanchonetes, etc. que tratam os alérgicos com inclusão, incentivamos que cada vez mais empresários e estabelecimentos do ramo prestem atenção a essa parcela cada vez mais significativa da população. Além disso, há muitos pequenos empresários que já abrem lojas e restaurantes direcionados diretamente para este público das pessoas com alergia ou intolerância alimentar. Em algumas capitais do Brasil por exemplo, como São Paulo, Rio de Janeiro (Niterói), etc. já conseguimos ser atendidos em ambientes totalmente preparados para receber por exemplo, famílias com crianças alérgicas. Isso é algo bem mais comum em países do primeiro mundo, mas começam a aparecer no Brasil.

Dentro do restaurante, vale lembrar que, mesmo não contendo o alimento que você não pode ingerir, o prato ainda pode ter sido contaminado por ele, em um fenômeno chamado de contaminação cruzada; a contaminação acontece quando uma substância alergênica entra em contato indiretamente com a pessoa, causando-lhe uma reação alérgica2.

Vamos supor que um cozinheiro utilizou uma faca para cortar um pão francês. Se ele utilizar essa mesma faca para passar manteiga em uma torrada sem glúten, então a pessoa que têm intolerância a esta substância pode sofrer uma reação. Até mesmo as luvas utilizadas pelo pessoal da cozinha, que entram em contato direto com os alimentos, podem desencadear reações em pessoas alérgicas ao látex. Por isso, é importante que você também verifique a forma como o pessoal trabalha.

Limpando a cozinha

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O recomendável é que você telefone para o restaurante e fale com um dos encarregados pela cozinha para saber como a equipe lida com a contaminação cruzada, explique suas restrições alimentares de forma detalhada e pergunte se é seguro comer no local3.

Caso não seja um restaurante com práticas seguras em relação às contaminações cruzadas, tenha a mão material para higienizar a mesa, como lenços umedecidos ou álcool gel. Quando a alergia é severa, o simples contato com algum alérgeno da mesa pode levar a uma reação. Principalmente no caso das crianças, que tendem a usar as mãos para comer, ou levar as mãos à boca.

Informe ao restaurante as suas restrições

Mesmo que você já tenha falado com um dos responsáveis pela cozinha, informe ao pessoal do restaurante as suas restrições alimentares e certifique-se de que todos os envolvidos (garçons, cozinheiros, etc.) entenderam a seriedade da questão. Mencione também a possibilidade de contaminação cruzada e a necessidade da equipe ter que checar os rótulos de todos os ingredientes utilizados no preparo dos alimentos.

No telefone

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Mais importante do que telefonar para o restaurante e informar todas essas questões, é escrevê-las em um papel para que o pessoal esteja ciente de todos os detalhes de sua condição. Você pode utilizar o “cartão para o chef4, em que estão escritas as suas necessidades alimentares, os procedimentos para evitar a contaminação cruzada e os produtos onde os ingredientes que não podem ser ingeridos podem estar presentes.

Escrevendo a mão

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Procure ir num horário em que o restaurante não esteja cheio

A maioria dos restaurantes costuma lotar na hora do almoço e na do jantar. É nestes momentos que a equipe do restaurante fica mais pressionada para atender rapidamente os clientes. Pessoas com alergia ou intolerância alimentar devem procurar evitar frequentar restaurantes nestes horários, já que as chances dos cozinheiros esquecerem-se de suas restrições alimentares e da contaminação cruzada são bem altas.

Prepare a sua própria refeição ou lanche em casa

Caso não queira ter o trabalho de fazer todo esse planejamento, e mesmo assim deseje ir à um restaurante sem se preocupar em ter reações alérgicas, então o que você pode fazer é preparar a sua própria refeição em casa. Para aquelas pessoas que ainda não estão acostumadas a preparar a sua comida e não sabem escolher os alimentos certos para a sua dieta, o ideal é que elas procurem a ajuda de um nutricionista. Mas na verdade é bem mais simples do que parece e pode se tornar uma rotina sem complicações, além de ter a vantagem que você prepara o que gosta de maneira saudável e embarca em um movimento que cresce muito em todo o mundo: o da redescoberta dos prazeres de cozinhar e da comida caseira.

Esta dica também vale para os pais que querem que seus filhos não sejam privados de encontros com amigos, ou mesmo com seus familiares. Eles podem preparar as refeições da criança em casa com base em sua dieta e colocá-las em uma lancheira ou marmita. Dessa forma, elas têm a possibilidade de participar de festas de aniversários de amigos e outros tipos de encontros sem se sentirem excluídas.

Refeição embalada

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Tenha sempre em mãos material necessário para higienizar mãos e mesa, assim como alguns descartáveis

Novamente, quando não é possível confiar nas práticas usadas pelo restaurante no tocante à contaminação cruzada, é essencial levar algum produto que permita a higienização das mãos e da mesa, como lenços umedecidos ou álcool gel.

Gel de limpeza

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Nesta mesma situação, não se envergonhe de levar material descartável para o consumo seguro da sua comida, como talheres, copos, canudos e pratos.

Pratos descartáveis

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Lembre-se que comer fora é uma oportunidade de dividir o ambiente com amigos e familiares. Todas as precauções devem ser tomadas para garantir que o momento seja prazeroso e seguro para todos. E como dissemos, já existem restaurantes e outros estabelecimentos que atendem as pessoas com alergia ou intolerância alimentar de maneira diferenciada. Apoie essas iniciativas! Isso é inclusão!

Aplicativos

Aplicativo de celular

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Quem sofre com alergia ou intolerância alimentar, sabe o quão difícil é a tarefa de encontrar restaurantes, panificadoras e cafés que ofereçam um cardápio que contenha alimentos adequados à sua dieta e que possuam uma equipe preparada para lidar com a questão da contaminação cruzada. Mas já existem alguns aplicativos que mostram a localização de estabelecimentos preparados para atender pessoas que seguem dietas restritivas. Notem que alguns desses aplicativos (principalmente os brasileiros) ainda estão iniciando. Os aplicativos que são estrangeiros podem auxiliar, mas infelizmente ainda não cobrem bem o território brasileiro. De qualquer forma, vale a pena conhecê-los, pois é questão de tempo até que haja serviços de qualidade e realmente úteis aqui no Brasil para essa audiência de alérgicos e intolerantes. Apresentamos abaixo alguns apenas alguns exemplos desse tipo de aplicativos:

  1. Myholyfood: Com o aplicativo MyHolyFood, a pessoa que sofre com alergia ou intolerância alimentar pode localizar um restaurante, lanchonete ou panificadora que ofereça alimentos sem glúten e sem açúcar. Esse aplicativo também permite que o usuário cadastre estabelecimentos que ele conheça e contribua para que milhares de pessoas com alergia ou intolerância alimentar tenham uma vida mais saudável.
  2. Zero%: O Zero% é voltado para aquelas pessoas que precisam seguir uma dieta sem glúten ou sem lactose. Ele mapeia somente os estabelecimentos mais confiáveis e que disponibilizam alimentos de qualidade sem esses dois ingredientes. O Zero% também disponibiliza receitas sem glúten ou lactose que ajudam os seus usuários a preparar a sua própria comida, caso não queiram sair para comer fora.
  3. Achei sem Glúten: O Achei sem Glúten é um aplicativo que mostra uma longa lista de locais onde as pessoas que não podem ingerir alimentos com glúten podem frequentar com tranquilidade. O diferencial do Achei sem Glúten é que ele mostra, além de lojas e restaurantes, estabelecimentos que disponibilizam o serviço de tele-entrega. Assim, a pessoa pode fazer o seu pedido por telefone e desfrutar de sua comida sem glúten em casa ou no trabalho.
  4. GoodGuide: O GoodGuide não mostra uma lista com estabelecimentos que ofertam produtos voltados para pessoas alérgicas ou intolerantes. Na verdade, ele é um aplicativo que auxilia essas pessoas a avaliar um produto antes de comprá-lo. Com o GoodGuide, elas podem verificar os ingredientes que compõem o produto, ler o seu rótulo e se certificar de que ele não causará danos à sua saúde.

Serviços de assinatura

Muitos sites de assinaturas também estão dando às pessoas com alergias ou intolerâncias alimentares a possibilidade de adquirirem produtos naturais e saudáveis apropriados para a sua dieta e os receberem no conforto de seus lares. A maioria deles oferece snacks artesanais livres de glúten e lactose. Mas há também alguns que disponibilizam pães, doces, bebidas, bolos e cereais totalmente livres desses ingredientes.

  1. Farofa.la: O Farofa.la oferece dezenas de produtos artesanais livres de glúten (podendo conter traços de glúten) e lactose que podem ser consumidos no café da manhã ou no lanche da tarde. Os produtos também não contêm corantes, conservantes, adoçantes e aromas artificiais.
  2. Clube do Zero: O Clube do Zero disponibiliza aos seus assinantes um mix de produtos de acordo com a dieta escolhida. Se a pessoa possui intolerância à lactose, por exemplo, ela deve escolher o kit zero lactose, que contém uma grande variedade de produtos livres desse ingrediente.
  3. GlutenFree Box: A GlutenFree Box busca novidades do “universo sem glúten” e escolhe um mix de produtos das melhores marcas para enviá-los a seus assinantes. As caixas de produtos podem conter variedades, como pães, bolos e bebidas, ou aperitivos, como snacks e barras.
  4. Best Berry: A Best Berry é uma empresa que oferece diversos produtos livres de corantes, adoçantes, conservantes e gorduras trans, feitos com alimentos frescos e naturais. O assinante também tem a possibilidade de escolher produtos sem glúten ou sem lactose.

Cada vez mais serviços como aplicativos e clubes de assinaturas existem para pessoas com restrições alimentares. Certamente a lista acima não é conclusiva! Se você conhece algum outro que não listamos aqui, aproveite para compartilhá-lo com a gente nos comentários!

Referências

1. UOL. “Vilões” do momento, glúten e lactose podem causar intolerâncias se ingeridos em excesso.
2. Dicas de Mulher. Como conviver com a alergia alimentar com saúde e bem-estar.
3. Instituto Girassol. Alimentação fora de casa e alergias alimentares.
4. Food Allergy. SafeFARE: Chef Card Template (Portuguese).

Como incluir a criança com alergia alimentar em um ambiente social formado por não alérgicos

Quando uma criança recebe o diagnóstico de alergia alimentar, seja nos primeiros meses de vida, seja em idade escolar, uma coisa é certa: a família toda passará por mudanças e precisará investir em um novo modelo de alimentação. Essa modificação na alimentação, por sua vez, é mais ampla do que parece: terá consequências no processo de interação social.

Como lidar com as dificuldades que surgem no caminho de uma criança diagnosticada com alergia alimentar? Quais os principais tipos de alergias existentes? Como preparar a criança para enfrentar esta problemática de maneira positiva? Que mecanismos e dicas podemos utilizar para otimizar o processo de inclusão social da criança alérgica, na escola, no seio familiar, nas festinhas e em outros ambientes?

Criança sorrindo

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É sobre estes tópicos que falaremos no decorrer deste artigo.

Alergias alimentares

Quando se fala em alergias alimentares é preciso saber diferenciar entre alergia e intolerância alimentar. Infelizmente, o fato de nem sempre termos uma informação clara se traduz no desconhecimento do quão grave e relevante é este assunto. Ocorre que muitos profissionais de saúde e familiares de alérgicos contribuem para a disseminação das falhas de entendimento ao confundir alergias e intolerâncias.

De acordo com Renata Rodrigues Cocco, alergologista do Hospital Albert Einstein:

“Apesar de alguns sintomas serem parecidos, outros são totalmente diferentes. As alergias apresentam sintomas que variam desde erupções cutâneas até problemas mais sérios como as anafilaxias (acometimento de múltiplos órgãos, com ou sem queda da pressão arterial e falta de ar, quadros potencialmente fatais). Já nas intolerâncias alimentares, os sintomas são mais relacionados ao trato gastrointestinal, com transtornos na digestão do alimento”1.

Alergia

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Outro ponto que diferencia a alergia da intolerância é o fator que desencadeia as reações de ambas: nas alergias o que promove o quadro reativo é a presença de alguma substância ou proteína presente no alimento, enquanto que na questão da intolerância faltam no corpo enzimas capazes de digerir certos tipos de carboidratos, caso, por exemplo, da lactose.

Dito isso, podemos definir a alergia alimentar como uma espécie de resposta exagerada dada pelo sistema imunológico quando se consome, ingere, inala ou apenas se entra em contato com certos alimentos, desencadeando reações e sintomas diversificados, tais como2:

  • Urticária
  • Inchaço
  • Coceira
  • Eczema
  • Diarreia
  • Dor abdominal
  • Refluxo
  • Vômito
  • Tosse
  • Rouquidão
  • Chiado no peito

Entre os principais alérgenos temos3:

  • Leite (de todas as espécies animais mamíferos)
  • Ovo
  • Glúten (presente no trigo, cevada, centeio e aveia)
  • Camarão e crustáceos
  • Peixe
  • Amendoim
  • Castanhas
  • Soja
Menina alérgica

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Além destes 8 alimentos, considerados os de maior incidência em toda a população, vários outros alimentos podem apresentar alergias, tais como:

  • Trigo
  • Amêndoa
  • Avelã
  • Castanha-de-caju
  • Castanha-do-brasil ou castanha-do-pará
  • Macadâmia
  • Noz
  • Pecã
  • Pistache
  • Pinoli
  • Castanha
  • Látex natural

Dieta da exclusão: do que se trata?

Uma das formas de controle e tratamento da alergia alimentar é a dieta da exclusão. Também chamada de dieta restritiva, ela é essencial para que a criança que sofre de alergia alimentar tenha melhor qualidade de vida, retirando de sua rotina alimentar alimentos e substâncias que possam desencadear uma reação alérgica e substituindo-os por outros alimentos para garantir a ingestão balanceada de nutrientes.

A adaptação à dieta passa por habituar-se à leitura de rótulos e por buscar informações mais precisas sobre os produtos, muitas vezes acessando o SAC do fabricante. Com o tempo, tais práticas se tornarão comuns e cotidianas dos familiares4.

Veja algumas dicas para que essa transição para a dieta da exclusão seja mais tranquila:

  1. Procure aceitar a alergia da criança e encarar a dieta com comprometimento e de maneira criteriosa, afinal, o bem-estar físico e também social do seu filho dependerá muito disso.
  2. Faça uma lista e descubra com ajuda do médico todos os alimentos que deverão ser excluídos do cardápio.
  3. Casal lendo rótulo

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    Acostume-se a ler os rótulos, a obter o máximo de informações e não hesite em acessar o Serviço de Atendimento ao Consumidor (SAC) da empresa fabricante quando necessário.

  4. Encare a dieta como uma alternativa, como algo que dá prazer e abre novas possibilidades de sabores, pratos e opções mais saudáveis – opções que vão além de uma alimentação baseada apenas em produtos industrializados. Com o tempo, você irá perceber que, na verdade, a dieta de exclusão é uma dieta de inclusão de novos hábitos, alimentos e receitas mais saborosas.

Contaminação cruzada

Mas não basta tomarmos todos esses cuidados, se deixarmos de lado um detalhe que também faz toda a diferença para a saúde e o bem-estar da criança com alergia alimentar: o risco da contaminação cruzada.

A contaminação cruzada é a transferência de partículas ou traços do alérgeno de um alimento para outro. A contaminação pode ocorrer por exemplo, caso um produto sem alergênicos seja processado no mesmo equipamento utilizado para o processamento de um produto que contenha alergênicos. Tal contaminação pode ocorrer em vários momentos: durante o plantio, colheita, armazenamento, beneficiamento, industrialização ou no transporte do produto.

Daí a importância fundamental da leitura de rótulos para uma checagem mais segura, uma vez que mesmo que se higienize os equipamentos, resquícios mínimos de substâncias alergênicas poderão, de maneira involuntária, disseminar a contaminação2.

De acordo com a resolução de RDC n° 26/2015 da ANVISA (Agência Nacional de Vigilância Sanitária), uma indústria que processa na mesma linha de produção vários grãos como soja, trigo, lentilha e outros e que não consegue comprovar ausência desses alimentos, deverá inserir no rótulo do produto a inscrição: Alérgicos: pode conter (nomes comuns dos alimentos que causam alergias alimentares)5.

Já no ambiente doméstico, para que a contaminação cruzada não ocorra, é preciso antes de tudo, tornar o ambiente da cozinha o mais seguro possível6. Dentre os detalhes, os utensílios domésticos utilizados na cozinha merecem maior atenção. O simples fato de determinado talher ou vasilha ter entrado em contato com algum alimento alergênico já é capaz de propiciar uma reação na criança, caso ela entre em contato com o utensílio contaminado.

Cozinhando

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Para evitar esse risco, você pode seguir algumas dicas, como:

  1. Trocar pratos, talheres, esponjas, copo de liquidificador, potes, etc., por outros sem uso.
  2. Reservar utensílios para uso exclusivo da criança alergênica.
  3. Utilizar cores diferentes nestes utensílios exclusivos para identificá-los mais facilmente.

Inclusão social

É essencial que procuremos formas de incluir socialmente a criança nos mais diversificados contextos. Para que esta inclusão seja bem-sucedida, o primeiro passo é trabalhar a questão da alergia de maneira sincera e natural dentro de casa e com toda a família.

Ilustração

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Há alguns pontos que devemos considerar no tocante à alergia alimentar. Em um primeiro momento7, quando a criança se encontra na mais tenra idade, nos seus primeiros anos de vida, a exclusão social decorrente da alergia é sentida principalmente pelos pais. Conforme os anos passam, a criança começa a sentir os efeitos da sua alergia, o que irá refletir-se diretamente em suas relações sociais. Daí a necessidade de conversar com a criança de forma transparente sobre a sua condição, e não tornar a alergia um assunto tabu; ao contrário, deve-se passar o máximo de informações para que a criança não se sinta inferior, menosprezada ou excluída.

Para favorecer a inclusão social da criança:

  1. Não supervalorize a alergia: procure agir de forma natural, sem extremismos, para que a criança não seja superprotegida.
  2. Converse com a criança, explique os motivos pelos quais ela não pode consumir determinados alimentos e mostre a ela opções e alternativas ao alimento excluído.
  3. Busque o equilíbrio e não foque na problemática, mas nas soluções. Na escola, por exemplo, onde muitas vezes será necessário conversar com diretores acerca do problema de saúde da criança8, busque soluções em conjunto.
  4. Esclareça as pessoas acerca da alergia alimentar: sabemos que o hábito do compartilhamento de alimentos é bem intenso em muitos países e para muitas pessoas. Seguindo este viés, é fato que muitas pessoas poderão se ofender quando oferecerem alimentos à criança alérgica e ela recusar. Oriente as pessoas sobre o assunto, esclareça que não se trata de “falta de educação” ou “frescura”, mas sim de uma questão de saúde, sem dramas ou extremismos9.
  5. Atente-se também ao fato de que a estratégia usada para crianças mais novas (em creches ou pré-escola – 0 a 4 anos) é diferente de crianças em idade escolar (5-6 anos em diante) que por sua vez é diferente de crianças mais velhas (a partir de 10-11 anos) que já estão chegando na adolescência. A dinâmica de interação social é diferente para cada grupo e, portanto, a estratégia usada para garantir a inclusão das crianças alérgicas também deve ser diferente.
Criança comendo laranja

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Lidando com a alergia alimentar

Há sobretudo, três contextos principais que podem ser fonte de estresse quando se fala em socialização das crianças alérgicas:

  • Ambiente familiar
  • Ambiente escolar
  • Festinhas infantis

Vejamos algumas maneiras e dicas para que se possa agir da melhor maneira possível em cada uma dessas situações.

Em família

Sabemos que o momento em que uma criança é diagnosticada como portadora de alergia alimentar poder ser traumático, principalmente para a família que costuma ser pega de surpresa.

Inicialmente, é comum a família não aceitar e negar o diagnóstico. É preciso superar esta primeira fase, chamada período de negação7, para posteriormente lidar com o novo âmbito que surge então no cerne do lar.

Criança com intolerância a lactose

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Obter informações, tanto com profissionais da área da medicina, grupos de apoio, conversar e trocar ideias com outras mães e pais de crianças alergênicas, bem como participar de grupos relacionados ao tema, mesmo em redes sociais, é uma das ferramentas que temos disponíveis para facilitar o acesso à informação e a inclusão da criança no contexto familiar7.

É importante também despertar na família o sentimento de empatia, para que todos possam se colocar no lugar da criança e dos pais, no sentido de compartilhar o mundo um do outro. Marcar um dia para que todos cozinhem juntos, trocar receitas, desmistificar a falsa ideia de que bolos sem ovos e leite (por exemplo), são ruins, e despertar nos outros integrantes da família a abertura para experimentar tais receitas e a compreender melhor o universo dos alergênicos é fundamental.

Na escola

Fora do lar, o primeiro ambiente estranho à criança é o contexto escolar, cuja heterogeneidade dos sujeitos é ainda mais sentida, e a alergia alimentar é apenas mais uma destas diferenças.

É neste momento que muitas crianças passam a sentir os efeitos de se ter alergia alimentar, e caso não tenham uma preparação que venha da base familiar, poderão sofrer com problemas de autoestima baixa e até mesmo segregação e exclusão10.

Na escola

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Neste sentido, é preciso estar atento a algumas barreiras a serem superadas para lidar com a questão da alergia de uma maneira mais positiva. Há várias situações escolares que podem surgir como obstáculos no caminho para a inclusão. Estes obstáculos criam uma infinidade de sentimentos e emoções para os alunos alérgicos, o que pode prejudicar sua interação com outros estudantes, bem como seu desempenho nos estudos.

Antes de escolher a escola para seu filho, é preciso fazer alguns questionamentos. Por exemplo: A escola está preparada para lidar com alunos alérgicos? Quais procedimentos a instituição de ensino costuma adotar quando algum aluno tem reação alérgica? Há infraestrutura na escola, como a presença de enfermeiros em caso de uma emergência? Estes são apenas alguns dos questionamentos que devem ser feitos antes de escolher a escola na qual seu filho passará pelo menos um turno do seu dia11.

Vejamos algumas dicas para lidar com a alergia alimentar na escola:

  1. Converse com os professores e certifique-se de que seu filho seja incluído na mesa de lanche escolar com as demais crianças, afinal, o simples fato dela necessitar de alimentos específicos não deve significar que seja afastada dos colegas.
  2. Oriente sempre a criança alérgica sobre sua condição e o que pode acontecer caso ela quebre as regras que irão proteger sua saúde, ou seja, caso ela aceite de um coleguinha, por exemplo, algum alimento ao qual ela tenha reações alérgicas ao ingerir12.
  3. Atente-se também ao material escolar e a seus fatores alérgicos, como massinha, giz de cera, tinta, entre outros8.
  4. Verifique se a escola cumpre a lei que determina o provimento de alimentação escolar segura aos alunos portadores de estado ou de condição de saúde específica. Embora a lei não fale em alergias alimentares, abrangendo uma variedade de restrições alimentares que ultrapassam casos de alergia, as crianças alérgicas estão incluídas por necessitarem de “atenção nutricional individualizada” e terem “demandas nutricionais diferenciadas” 13, 14 . Vale enfatizar, entretanto, que a implementação dessa lei ainda não é prática generalizada nas escolas e, portanto, a melhor prática continua sendo negociar com a administração da escola, fiscalizar e debater caso a caso.
Intervalo do lanche

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Em festinhas infantis

Outra situação fundamental para a interação social da criança são as festinhas infantis. Algumas dicas poderão auxiliar na inclusão das crianças de maneira natural, como por exemplo:

  1. Procure conhecer o cardápio antecipadamente, e caso não haja nenhuma opção para a criança alérgica, faça para ela um lanche próprio, ou até mesmo contribua com algum pratinho de guloseimas que ela possa saborear com as demais crianças8.
  2. Se for o caso, leve o bolo, o suco sem corante, e tudo o que for necessário, para que a criança não se sinta de lado na festinha. Converse antes com a mãe do aniversariante ou com os organizadores da festa a respeito15.
  3. Lembre-se também da questão dos traços que podem contaminar os talheres e utensílios. Leve alguns sem uso para a criança alergênica utilizar na festa.
Festa aniversário

Imagem licenciada – Adobe

Seguindo estas sugestões e dicas, com certeza a criança irá sentir-se incluída socialmente e irá fortalecer sua autoestima, não sendo superprotegida, tampouco colocada de lado, mas irá encarar sua situação com responsabilidade e de maneira mais natural.

Tem dúvidas ou quer contar a sua experiência? Compartilhe com a gente nos comentários!

Referências
1 Sociedade Beneficente Israelita Brasileira Albert Einstein. Entenda a diferença entre alergia e intolerância alimentar.
2 Põe no rótulo. Cartilha da Alergia Alimentar.
3 Food Safety Brazil. Publicada resolução sobre Rotulagem de alimentos que causam alergias alimentares.
4 Menu Bacana. A dieta de exclusão de alimentos alergênicos.
5 Food Safety Brazil. Como rotular alergênicos de acordo com a RDC 26/15.
6 Macetes de mãe. Alergia alimentar: adaptação, inclusão, superação.
7 SanLuna’s. Psicologia e alergia alimentar.
8 Blog FAMESP. Crianças com alergias alimentares x Inclusão Social.
9 The Creativity Post. Social consequences of Food Allergy.
10 Allergic Living. Food Allergy at School: Avoiding Shame & Segregation.
11 Allergic Child. Food Allergy & Schools.
12 Instituto Girassol. Alimento, afeto e socialização da pessoa com alergia alimentar: O problema da escola.
13 Legislação. Lei 11.947.
14 Legislação. Lei 12.982.
15Slideshare Linkedin. De mãe para mãe – Sobre crianças com alergia alimentar.

Esse bolo de chocolate com abacate é uma receita maravilhosa e super deliciosa da nossa parceira Alessandra Lima, autora da página Alergia Gourmet ! Dá vontade de ir pra cozinha agora e fazer esse bolo! Vejam o que ela diz:

Que chocolate é bom não temos dúvida, que bolo de chocolate é delicioso também sabemos, agora que abacate virou bolo de chocolate????
Isso mesmo, essa foi uma das formas que consegui introduzir a fruta e seus benefícios para minha filha que não se familiariza muito com a textura do abacate. E graças à essa textura é que garantimos um bolo muito macio e com um sabor leve e deliciosamente cheio de chocolate!
O abacate é um excelente alimento, rico em vitaminas e sais minerais, gorduras boas, ácidos graxos e ômega 3; associado aos benefícios do cacau (rico em antioxidantes, vitaminas, minerais, fibras ) tornam-se uma dupla perfeita.
Aproveitem o Bolo de Chocolate com Abacate, tenho certeza que irão se surpreender!