Alergias e Intolerâncias • Alergias e Intolerâncias

Após anos e anos de distensões abdominais, dores, diarreia e sintomas diversos que podem ir além do ambiente intestinal, você descobre que possui uma intolerância ao glúten. Medida imediata? Retirar, pelo menos temporariamente, os alimentos feitos principalmente com trigo, mas também com centeio e cevada. Eles incluem, nada mais nada menos, que pães, massas, esfihas, brioches, pizzas, quiches, bolos, croissants e biscoitos.

Um sentimento de desespero pode surgir. Fique tranquilo, é normal. Afinal, até então, você não sabia o que seria uma vida sem glúten. Essa proteína é responsável por proporcionar a textura e o sabor característico de pães e massas, o que para alguns são peculiaridades insubstituíveis.

É possível viver sem o glúten? A resposta é sim! Veja abaixo como ser feliz e comer bem sem trigo, cevada e centeio.

Iniciando a Vida sem Glúten

Evitar o glúten significa mais do que retirar da dieta os alimentos mais tradicionais, como os citados acima. O trigo, principal fonte de glúten atualmente, pode se esconder em vegetais congelados, molho de soja (shoyu), suplementos vitamínicos, medicamentos, pasta de dente, sorvetes, entre outros.

É claro que tudo vai depender do seu grau de intolerância. Portadores da Doença Celíaca, por exemplo, devem tomar cuidado com cosméticos e outros produtos, além dos alimentos.

Embora o trigo atual não seja o mesmo que o consumido há muitos anos devido a diversas modificações genéticas desenvolvidas (melhora de produtividade, qualidade “pegajosa” da farinha, etc.), para uma boa parte da população, ele acaba sendo fonte de fibras (no caso do integral), de vitaminas como as do complexo B e minerais como o magnésio.

Sendo assim, lembre-se de que será importante agregar outros alimentos à dieta que forneçam uma dose de fibra alimentar diária e substituir os produtos feitos com farinha de trigo por outros tipos de farinha, que também são fontes de vitaminas e minerais.

Prefira se Alimentar em Casa

O fato de cozinhar sua própria comida já vai tornar sua vida sem glúten muito mais simples. Frutas, legumes, carnes e peixes, verduras e muitos grãos, como o arroz integral e a quinoa, serão grandes aliados na dieta.

A ausência do trigo, por exemplo, não vai deixar sua dieta monótona. Pelo contrário, a ampla gama de alimentos de verdade tornará sua dieta muito mais saudável e variada. No lugar de pães de trigo no café da manhã e salgados no lanche da tarde, dê lugar às frutas, castanhas, amêndoas, iogurte e aos produtos sem glúten.

Adicione Grãos, Sementes e Cereais ao Seu Dia a Dia

As farinhas sem glúten são ótimas opções, mas reveze com o consumo de cereais, sementes e grãos in natura.

Use grão de bico e semente de girassol na salada, o amaranto e a aveia nas frutas e também reveze o feijão e a lentilha na combinação com o arroz integral ou quinoa. Bata a linhaça no seu suco diário e adicione a granola natural (sem glúten) ao seu iogurte.

Em tempo: muitas vezes, a aveia é citada como fonte de glúten, no entanto, ela não contém a proteína. O que ocorre é que muitas vezes ela é processada na mesma máquina que o trigo ou produtos feitos a partir dele e pode ocorrer contaminação cruzada. Indivíduos celíacos devem evitar a aveia, mas se o seu organismo tolera uma pequena quantidade de glúten (ou seja, você não é celíaco), não há problema em consumi-la. Em todo caso, esteja atento e leia os rótulos do produto.

Utilize Farinhas Sem Glúten

Você pode continuar comendo um pão pela manhã ou uma massa no jantar. Aproveite a grande diversidade de farinhas sem glúten disponíveis no mercado e adquira produtos com elas.

Ao fazer bolos, pães e biscoitos, a mistura entre as farinhas ajuda a se aproximar das características típicas do trigo. Frangos e peixes podem ser empanados e assados no forno, assim como bolinhos salgados.

Veja algumas opções: amaranto, quinoa, linhaça, amêndoas, araruta, arroz integral, berinjela, banana verde, grão de bico, fécula de batata, farinha de mandioca e assim por diante.

Festas, Reuniões e Eventos

Nessas ocasiões, é comum o anfitrião oferecer petiscos ou refeições que contenham glúten.

Se tiver à disposição frutas, faça uso delas. Tem na bolsa um pacote com bolachinhas sem glúten? Se achar que não é fazer desfeita, consuma-as com os patês. Se você não tiver problemas com a lactose, os queijos são bem vindos. Castanhas e amêndoas também serão aliados.

Você será o anfitrião? Abuse da criatividade! Faça rolinhos de berinjela com recheio de tomate seco e ricota, canapés de pepino e salmão, legumes picados no molho de iogurte, purê de batata doce e chips de batata inglesa assados no forno.

Restaurantes Gluten Free

Muitas capitais brasileiras já contam com restaurantes com cardápios gluten free, desenvolvidos especialmente para esse novo nicho no mercado. Pizzarias fazem sucesso com a criação de deliciosas massas sem glúten – e que não deixam nada a desejar em sabor e textura para as tradicionais.

Torne-se um Leitor de Rótulos

Habitue-se a ler os ingredientes nos rótulos. Eles lhe dirão se você pode consumir determinado produto. Congelados costumam ter farinha de trigo, então leia atentamente tudo o que foi acrescentado.

Principalmente, verifique a informação “contém glúten” ou “não contém glúten”. Segundo a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA), é uma expressão obrigatória em todos os produtos industrializados. Se você adquiriu um produto caseiro, pergunte ao fabricante sobre a existência de trigo ou não.

Desfrute Tranquilamente

Você pode levar uma vida tranquila sem o glúten. Naturalmente, o corpo sentirá as mudanças e a dieta vira um hábito de vida, mas a alimentação ficará mais variada e os sintomas desagradáveis causados pelo glúten vão diminuindo com o tempo!

Referências

One Health Mag

Harvard Health Blog

Mind Body Green

ANVISA – Lei nº 10.674, de 16 de maio de 2003

BRAMMER, S. P. Variabilidade e diversidade genética vegetal: requisito fundamental em um programa de melhoramento. Passo Fundo: Embrapa Trigo, 2002. 9 p. html. (Embrapa Trigo. Documentos Online; 29). Disponível em: http://www.cnpt.embrapa.br/biblio/p_do29.htm.