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Com um bom planejamento, é possível fazer qualquer coisa com crianças alérgicas, até mesmo viagens mais longas. O importante é saber como manter a criança segura durante a viagem, ao comer fora em restaurantes, fazer passeios turísticos, etc.

São muitas as questões que devem ser pensadas e planejadas, por isso, separamos algumas dicas para lhe ajudar a planejar os melhores dias do ano com sua família. Férias são maravilhosas, mas planejar bem significa deixar o stress de lado e se preparar para eventualidades com muita tranquilidade.

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Escolhendo o destino da viagem

Ao escolher um destino, pesquise sobre o local e faça a si mesmo as seguintes perguntas:

  1. É uma cidade grande ou pequena?
  2. É um vilarejo afastado, sem um centrinho?
  3. Existem hospitais, centros de atendimento em saúde e farmácias por perto?
  4. Qual é o idioma local (no caso de outros países)?
  5. Existem restaurantes preparados para receber alérgicos a certos tipos de alimentos?
  6. O quarto no hotel tem uma cozinha própria na qual posso preparar as refeições do meu filho?
  7. O hotel se disponibiliza a preparar algumas refeições com restrição de alimentos?
  8. Dentro do meu quarto de hotel há um frigobar para que eu possa armazenar o que levar pronto ou semi-pronto de casa?
  9. Se você pretende cozinhar no hotel ou onde se hospedar, há um supermercado (de preferência grande) perto do hotel?
  10. Será que seria melhor se hospedar em um apartamento (como os oferecidos por serviços como o AirBnB)? Pode ser que valha a pena tanto financeiramente como pela questão de segurança, principalmente se viajar com uma família grande.

Hoje em dia, com a Internet, podemos responder a tudo isso facilmente e assim, definir qual o melhor destino para aliar o útil ao agradável. É essencial pensar em situações de emergência que podem ocorrer e onde buscar ajuda. Por exemplo, funcionários de restaurantes que ficam no atendimento, muitas vezes podem não saber que na cozinha a batata é frita no mesmo óleo que fazem o camarão – e se o seu filho é alérgico a esse crustáceo, pode imaginar o tamanho do problema.

Ao chegar a seu destino, procure supermercados, mercearias, padarias e fornecedores que possam prover alimentos prontos que você tenha certeza que servem para as alergias e restrições de seu filho. Hoje em dia não é tão difícil encontrar por exemplo padarias ou mercados na Europa, Estados Unidos e mesmo na América Latina com fornecimento de produtos certificados sem glúten para celíacos ou intolerantes ao glúten.

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Viagens ao litoral oferecem a possibilidade de alugar uma casa ou apartamento, o que facilitará muito a sua vida e garantirá a segurança alimentar do seu filho. Caso a opção seja hotel e não haja flexibilidade quanto à alimentação, não desanime, parta para outras opções.

Uma excelente informação para quem está indo para os Estados Unidos: existe um site, o allergyeats.com, onde você pode localizar restaurante colocando o Zip Code (o CEP) do estabelecimento ou o nome do próprio restaurante, caso você tenha alguma indicação, inclusive na Disney. Uma tranquilidade e tanto, não é mesmo?

Falando na Disney, de experiência própria podemos dizer com tranquilidade: todos os restaurantes (restaurantes, não as cadeias de fast food) dentro da Disney oferecem todo o suporte para crianças e pessoas com alergias alimentares. Entre no site de reservas de restaurantes da Disney, procure se informar e reserve antes os breakfasts, almoços (ou mesmo jantares, se for o caso de seu horário nos parques) para os dias das visitas aos parques. E não é preciso se hospedar em hotel dentro dos parques para poder fazer reserva nos restaurantes. Ao fazer a reserva pelo site da Disney você poderá escolher várias opções de alergias alimentares entre as mais comuns. Mas não se preocupe com particularidades: quando você chegar lá no restaurante (tendo reservado antes, você “fura” a fila e vai ser logo atendido) o atendente vai ver em sua ficha que há restrições alimentares e marcará sua mesa. O próprio chef (ou um dos chefs) do restaurante virá em sua mesa, perguntará quem é o alérgico e ouvirá com calma suas particularidades. E ele então sugerirá um cardápio próprio para a criança, desde entrada, passando pelo prato principal até sobremesas. E se preciso fará algo especial para seu filho. Em geral o chef vai aconselhar fortemente que se o restaurante é daqueles que tem buffet, nada do buffet seja oferecido à criança. Isso porque ele sabe que mesmo se a criança puder comer algo que está lá, pode estar contaminado. E ele vai até explicar que em todos os restaurantes há uma forno, ou parte separada da cozinha onde se cozinham comidas especiais para os alérgicos, dada a procura que existe lá com crianças alérgicas. Depois de conversar direitinho, ele ainda vai te dar várias opções para você escolher e montar a refeição da sua criança, que será preparada na hora. E você vai ver seu filho ou filha ser tratado como príncipe ou princesa!

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Em duas viagens diferentes que fizemos para lá, experimentamos restaurantes diversos dentro dos vários parques da Disney e nunca tivemos problemas em nenhum e sempre fomos muito bem atendidos. O preço será um pouco maior do que nas cadeias de fast food, mas se você está indo à Disney com as crianças, vale muito a pena esse gasto a mais para ver as crianças se alimentando com prazer e com segurança. Disney é Disney!

Outros parques de entretenimento em Orlando (como a Universal) em outros lugares nos Estados Unidos começam a seguir a liderança da Disney e oferecer opções para alérgicos, entretanto cada caso é um caso e é importante pesquisar no site de cada um deles.

Seja em que país for, é fundamental usar extensamente a Internet para pesquisar as opções em seu destino de viagem.

Tipos de alergia e gravidade

Se a viagem for dentro do Brasil, apenas leve consigo os medicamentos de emergência que a criança pode precisar e tenha em mãos telefones e endereços de farmácias 24 horas e de hospitais. Se possível, faça uma pesquisa se a farmácia vende os medicamentos que você costuma utilizar, dentro ou fora do país.

Viajando para o exterior, leve em todos os lugares a que você for uma declaração médica sobre o tipo de alergia, o grau de sensibilidade e as restrições alimentares da criança traduzidos para o idioma local. Se não for possível, apenas em inglês será bem aceito em diversos lugares. Ainda fora do país, pesquise quais são os alimentos típicos a que seu filho poderá ter acesso.

A sensibilidade a traços do alimento também é uma questão delicada e as perguntas feitas no início deste texto devem ser revistas com mais atenção. O hotel pode até ser flexível e preparar as refeições sem o alimento alergênico, mas não é possível garantir que uma contaminação cruzada ocorra. Nesse caso, vale investir na pesquisa por apart-hotéis, apartamentos, pousadas ou chalés com cozinha.

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Cozinhar nas férias ou na viagem parece programa de índio, não? Mas se tudo for feito sem stress e sempre junto com a família, a experiência pode se tornar uma rotina super agradável, prazerosa além de saudável. O importante é que a família toda ajude e divida as tarefas e que seja separado sempre um bom tempo do dia para comprar e preparar a comida. No fim, o que é uma tarefa pode ser compartilhado por todos e ainda pode render uma economia em relação a comer em restaurantes, muitas vezes caros.

O risco da contaminação cruzada

Se o hotel onde você se hospedar disponibiliza refeições sem a fonte alergênica, certifique-se de que eles separam os utensílios de cozinha utilizados. Por exemplo, um suco de laranja não pode ser feito no liquidificador utilizado para fazer uma vitamina com leite, principalmente se o eletrodoméstico não for bem lavado. É válido também o exemplo que demos acima do sobre o óleo para fritura nos restaurantes.

Atenção com facas, colheres e garfos no buffet do café da manhã do hotel, assim como os utilizados nos restaurantes. Se possível, leve os próprios talheres da criança; desse modo, qualquer possibilidade de contaminação será afastada.

Em geral, mesmo que em alguns hotéis haja alguma indicação de que existem algumas comidas preparadas sem alergênicos, a contaminação na cozinha do hotel é praticamente impossível de ser evitada. Para crianças com alergias graves, o melhor é se precaver e não consumir comida pré-preparada no hotel, principalmente se for de um buffet, como geralmente é o caso.

Dicas importantes

  • Leve um kit com os principais medicamentos com você.
  • Leve as prescrições das receitas dos principais medicamentos traduzidas para o inglês ou, se possível, para a língua local.
  • Pesquise sobre os alimentos industrializados que seu filho pode consumir.
  • Leia os rótulos com atenção. A leitura dos rótulos continua sendo imprescindível, então se você estiver em outro país e não dominar a língua local, peça ajuda a uma pessoa nativa para lhe ajudar a ler os rótulos. Outra possibilidade é ter sempre à mão uma aplicação em seu celular para traduzir os nomes dos ingredientes que você ler nos rótulos. Com uma certa prática, uma aplicação dessas pode facilitar bastante.
  • Pesquise restaurantes e supermercados allergy-friendly no destino.
  • Ande com lenços umedecidos e álcool em gel para limpeza das mãos.
  • Leve seus medicamentos e lanches dentro do avião – na bagagem de mão. Em pequenas quantidades eles costumam ser aceitos quando passam no raio-X.
  • A maioria das empresas aéreas ou os controles de segurança dos aeroportos conhecem bem o que é uma caneta injetora de adrenalina. Então não fique com receio e ao passar no controle de segurança, explique e fale o nome da marca que é a mais conhecida: Epipen. Todos vão entender o que é e você não terá problemas ao passar no controle.
  • Converse com a tripulação do avião, os garçons dos restaurantes, funcionários de hotel, etc., para que não ofereçam algo sem a sua permissão. Comunique-se, seja delicado mas bem objetivo nas informações.

Boa viagem!

Em resumo, viajar com crianças alérgicas hoje em dia não só é possível como é cada vez mais fácil. Dá um certo trabalho, mas toda viagem sempre dá um certo trabalho para planejar. Use os recursos da tecnologia e da Internet, planeje bem, envolva toda a família e boa viagem!

 

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Referências:

1 Dicas para viajar com segurança com alergia alimentar. Por Renata Pinotti para Danone Nutrição.
2 Dicas para viajar com crianças com alergia alimentar. Viajando com Pimpolhos. Out/12.
3 Contaminação cruzada: um risco para criança com alergia alimentar. Por Patrícia Cerqueira.
4 7 Road Trip Tips for Travel with Food Allergies. Kids with Food Allergies. Jun/15.
5 Travelling Abroad with a Food Allergy. Allergy UK.
6 Allergy Friendly Hotels, Destinations and Food Allergy Tips. Pinterest Board.