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Uma das questões mais preocupantes para quem tem uma filha ou filho alérgico é a segurança do mesmo na escola. Esse é um assunto sobre o qual vamos falar diversas vezes aqui em nosso portal e além dos pais, isso também vale para avô, avó, madrinha, tia, qualquer responsável que acompanhe a ida da criança para a escola.

É importante que sejamos transparentes durante todo o processo de seleção na instituição onde pretendemos matricular a criança. É preciso que na escola eles saibam exatamente o nível de sensibilidade ao(s) alimento(s) que se tem, assim como as reações que podem provocar.

Se a criança é muito nova e ainda não tem consciência da situação, nem condições de evitar alguns riscos, é preciso atuar constantemente no dia a dia na escola.

É fundamental entender que para muitos, a situação é uma novidade e por isso é preciso explicar tudo, mesmo aquilo que para nós, família do alérgico / intolerante, pareça óbvio.

É melhor ser repetitivo do que passar por uma situação de risco desnecessariamente.

Mesmo quando é uma escola onde a alimentação é oferecida, se parecer que a equipe da escola, como um todo (professores, coordenadores, copeiros…) não tem condição de manter o nível de segurança necessário, ofereça de levar o alimento. Ofereça também mandar pratos e talheres especiais para a sua criança, para que fique nítido para todos que aquele não deve ter contato com o alimento do grupo. É mais trabalhoso? É, mas isso pode evitar uma série de situações de risco e vão ajudar em muito a inclusão de seu filho.

Tente sempre conversar para ver se estão separando seu filho nas refeições, faça a escola entender que isto não é necessário para evitar problemas. Procure conversar com os professores no início do ano, uma reunião individual, onde você pode falar sobre as providências necessárias se (ou quando) alguma coisa não sair como o esperado. Mantenha os dados das pessoas a serem notificadas sempre atualizados.

Pense como você se sentiria se fizesse parte da equipe que atende sua criança na escola, o que poderia te passar mais segurança na lida com uma situação que você não tem tanta prática.

É preciso alertar a todos não só o cuidado com aqueles alimentos, mas também com a contaminação dos alimentos seguros com os produtos que causariam alergia.

Para a maioria das pessoas, contaminação é uma palavra que remete diretamente à idéia de presença de germes ou resíduos químicos na comida.

Mas para o alérgico ou intolerante, isso significa que o alimento em questão pode conter resíduos do produto que provocaria reações adversas no seu corpo. Mesmo que seja um produto perfeito para o consumo, sem micróbios ou produtos tóxicos.

Muitas vezes a contaminação é feita de forma totalmente inocente. Por exemplo: uma criança acabou de comer algo que contém um alérgeno sério para o seu filho. Aí, ainda com os resíduos do mesmo nas mãos, pede para provar o que está no potinho dele. Mergulha a mãozinha no pote e sem querer deixa rastros do alérgeno na comida que antes era segura. Pronto, para alguns isso pode ser o suficiente para gerar uma crise.

Temos então que trabalhar sempre com a possibilidade de ocorrer a crise, mesmo que torcendo (muito) que não ocorra…

Outra questão são os lanches coletivos ou oficinas de nutrição. Sempre que possível, ofereça de participar com uma boa parte do lanche ou com uma receita segura, para que sua criança tenha orgulho de apresentar os quitutes deliciosos que come – mesmo sendo alérgico. Muitas vezes isso será fundamental para que sua criança se sinta incluída.

Ou mesmo, se for possível para você e para a escola, pergunte se pode participar, como visitante ou convidado(a) especial.

Por outro lado, tenha certeza de que será notificado(a) sobre os aniversários. Isto permitirá que você mande o “kit festinha” mais delicioso para seu filho participar do evento, sem que isso gere decepção para ele.

Excursões também requerem cuidados especiais. Muitas vezes o lanche será feito no transporte para o local visitado. Outras vezes a paradinha para comer será no próprio objetivo da excursão.

Quando é assim, mande na lancheira os remédios usados em uma crise, assim como os telefones de contato no caso de algo não correr bem.

Quanto ao lanche, o de sempre: mande o suficiente para sua criança consumir, mais um tanto para compartilhar, se este causar curiosidade nos colegas – sempre em potes ou embrulhos separados. Mande também algo para que sua criança higienize as mãos antes da refeição ou proteja a mesinha onde vai comer – como um papel de jogo americano. Para quem tem problemas com a contaminação do alimento com alérgenos, isso é mais importante do que parece.

Mais tarde falaremos do “kit especial” de remédios para os alérgicos, como organizar esse kit (que pode inclusive conter algo especial como uma “caneta de adrenalina”) e como conversar na escola sobre a aplicação dos remédios em caso de emergências.

Tudo isso deve ser feito sempre tentando manter a transparência com os profissionais da escola, pois o sucesso realmente depende deste relacionamento ser uma parceria de confiança.