Alimentação Saudável • Alimentação Saudável

A fase pré-escolar da criança, entre 0 e 5 anos de idade, é o momento fundamental de crescimento cerebral rápido, ou seja, tudo o que envolve a plasticidade neural, o desenvolvimento cognitivo e motor, a memória operacional e a atenção1. É um momento de transição constante da alimentação, que define o paladar e os hábitos alimentares para o resto da vida.

Durante a infância, a alimentação deve cumprir com o papel de nutrir verdadeiramente, pois é a introdução de alimentos de qualidade e completos nutricionalmente que definirá o crescimento físico, a capacidade cerebral e o sistema imunológico fortalecido. Doenças crônicas não transmissíveis, por exemplo, hipertensão arterial e diabetes, pode ser iniciadas já na infância e estabelecidas na idade adulta, dependendo dos hábitos alimentares adotados.

Crianças alérgicas e/ou intolerantes necessitam de atenção no que diz respeito ao equilíbrio nutricional. Quando você tem que eliminar os alimentos da dieta do seu filho, nutrientes importantes para seu desenvolvimento podem ser negligenciados. Enquanto uma criança com dieta adequada terá reservas nutricionais suficientes para passar por uma dieta de eliminação em curto prazo, aquela com restrição por períodos maiores deve tentar garantir fontes seguras de nutrientes para ter equilíbrio nutricional2.

Alimentação nos Primeiros Anos de Vida

Os bebês são mais propensos a desenvolver alergias se há histórico de eczema, asma ou alergias alimentares na família5. Se em sua família existe um histórico dessas condições, é recomendável amamentação exclusiva nos primeiros seis meses2,5. Idealmente a amamentação (não exclusiva) deve se estender até o final do primeiro ano. Se você não está amamentando por qualquer motivo, peça ao seu médico uma orientação sobre qual tipo de fórmula dar ao seu bebê.

Quando você começar a introduzir alimentos sólidos (desmame), se for introduzir os mais alergênicos, inicie um de cada vez e em pequenas quantidades para que você possa observar qualquer reação. Os alimentos com maior potencial são: leite de vaca (e fórmulas derivadas), soja, ovos, trigo, amendoim, castanhas, peixes e frutos do mar. Não introduza qualquer desses alimentos antes dos seis meses. A mucosa intestinal do bebê ainda está em processo de amadurecimento, bem como o sistema imunológico. O organismo da criança não está tão bem preparado para lidar com moléculas proteicas tão grandes e pode não as digerir completamente, desencadeando a alergia alimentar2,5.

Alergias e/ou intolerâncias alimentares podem ser decisivas para um crescimento aquém do esperado de uma criança. São condições que podem passar despercebidas e impedem o desenvolvimento adequado da criança, principalmente no ganho de peso e fortalecimento muscular, devido à má absorção dos nutrientes.

Alergias alimentares também podem ser acompanhadas de um quadro alérgico secundário como alergias respiratórias ou de pele. É importante ficar atento a todos os diferentes aspectos de manifestações alérgicas, pois o organismo é único.

Como saber se meu filho tem uma alergia alimentar?

Uma reação alérgica pode consistir em um ou mais dos seguintes sintomas5:
• Diarreia ou vômitos;
• Prisão de ventre
• Tosse, chiado no peito e falta de ar;
• Coceira na garganta e língua;
• Coceira na pele ou erupção;
• Lábios e/ou garganta inchados;
• Corrimento nasal ou entupimento;
• Olhos doloridos, vermelhos ou com coceira;
• Irritabilidade;
• Refluxo;
• Perda de peso.

A perda de peso pode ser um sinal ou consequência de intolerâncias ou alergias alimentares de reação não imediata. Neste caso, os nutrientes simplesmente não são absorvidos em proporção com a ingestão dos alimentos.

Em alguns casos, os alimentos podem causar uma reação muito grave (anafilaxia) que pode ser fatal. Se você acha que seu filho está tendo uma reação alérgica a um alimento, procure ajuda médica urgente.

Alimentos Para um Cérebro Saudável1

Alguns alimentos potencialmente alergênicos possuem nutrientes fundamentais para o desenvolvimento cerebral, por exemplo, os ovos, oleaginosas e peixes. Eles contêm vitaminas e minerais essenciais, bem como são fonte de ômega 3, comprovadamente o “nutriente do cérebro”. Se seu filho não pode consumi-los por possuir alguma alergia ou intolerância, busque outras fontes alimentares. Veja alguns exemplos3,4:

Verduras verde-escuras

Rico em ácido fólico, magnésio e ferro, o espinafre e a couve são parte de uma dieta saudável relacionada com menor chance de desenvolver patologias cerebrais na vida adulta, como a demência. A couve ainda possui sulforafano, excelente para a desintoxicação, e o diindolilmetano, formador de novas células cerebrais. Além disso, são fonte de cálcio, excelente substituto para quem não pode oferecer leite e derivados aos filhos.

Adicione em smoothies ou sucos na hora do lanche, refogue no jantar com azeite de oliva extra virgem – as gorduras ajudam o organismo a absorver vitaminas – ou ainda ofereça os talos como chips, regando com azeite e pouco sal e levando ao forno.

Frutas

Incentive seu filho a comer uma variedade de frutas frescas, in natura. Se ele bebe apenas o suco, tenha certeza de que é feito 100% de fruta e limite suas porções. O suco costuma concentrar uma quantidade maior de frutose, tornando-se muito calórico.

Sementes

Inclua na dieta do seu filho alimentos vegetais fontes de ômega 3: semente de linhaça, semente de chia e nozes – caso você já tenha feito as primeiras introduções, sem reações alérgicas. Adicione nos sucos ou sopas, incrementando a refeição.

Leguminosas

Feijão, lentilha e grão de bico são boas fontes proteicas, que podem complementar a dieta junto com a carne vermelha e branca. O crescimento acelerado das crianças necessita de consumo frequente de proteínas de boa qualidade para reparação e construção muscular.

Evite Açúcares Simples e Gorduras de Baixa Qualidade3,4

Limite as calorias do seu filho a partir de gorduras hidrogenadas e de açúcar, como margarina, bolo e refrigerante. São alimentos inflamatórios e excitatórios, sem densidade nutricional e que viciam o paladar. Procure maneiras de substituir essas gorduras sólidas com vegetais, sementes e óleos de qualidade, que fornecem ácidos graxos essenciais e vitamina E. Óleos estão naturalmente presentes no abacate, gergelim e de linhaça.

Se você tiver dúvidas sobre nutrição para crianças ou preocupações específicas sobre a dieta do seu filho, fale com o médico do seu filho ou de um nutricionista. Eles são os profissionais mais indicados para adequar a dieta da criança, priorizando qualidade e quantidade. Não deixe de procurar ajuda profissional por qualquer assunto que tenha lido em nosso site.

Referências:

1Rosales FJ. Understanding the Role of Nutrition in the Brain & Behavioral Development of Toddlers and Preschool Children: Identifying and Overcoming Methodological Barriers. Nutr Neurosci. 2009 Oct; 12(5): 190–202.

2Food allergies in children. Health Direct Australia.

3Is Your Food-Allergic Child’s Diet Nutritionally Balanced? Kids with Food Allergies.

4Nutrition for kids: Guidelines for a healthy diet. Mayo Clinic.

5Alergia à proteína do leite de vaca (APLV) e seus sintomas.