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Este é o 1o. de uma série de artigos para o nosso Projeto Chocolate, em colaboração com sites parceiros.

Chocolate faz bem para a saúde?

Apreciado tanto por crianças quanto por adultos, o chocolate suscita paixões e atrai ao redor seu redor alguns mitos e muitas verdades.

Certamente você já ouviu falar sobre os benefícios do chocolate, bem como dos malefícios do seu abuso, e até mesmo aquela história de que ele pode causar alergia. As dúvidas são muitas, até porque, se ontem o chocolate era o vilão, hoje é possível encontrar pessoas da classe médica e científica delegando ao chocolate o papel de mocinho. Mas para muitas pessoas a ideia de que chocolate e saúde não se misturam ainda é uma realidade.

Tendo como matéria prima o cacau, o chocolate evoluiu e hoje temos no mercado opções para todos os paladares: amargo, meio amargo, ao leite, branco e orgânico e até opções de chocolate feito sem leite.

Que tal então esclarecermos melhor este assunto, abordando os benefícios e os problemas causados pelos excesso do consumo de chocolate, as novas descobertas relacionadas ao cacau e a existência ou não da alergia ao alimento? Confira!

Tipos de chocolate e sua composição

Tradicionalmente, o chocolate é feito a partir das sementes da árvore de cacau que tem um sabor amargo intenso. Por isso elas são fermentadas e após a fermentação, os grãos são secos, limpos e torrados. A casca é removida para produzir grãos de cacau, que depois são moídos para formar a chamada massa de cacau, que é o chocolate puro. Uma vez que a massa de cacau é normalmente liquefeita antes de ser moldada com ou sem outros ingredientes, é chamada licor de chocolate.

Esta massa de cacau é composta de manteiga de cacau e cacau em pó. Depois a massa é misturada com mais manteiga de cacau, açúcar e outros ingredientes que lhe acrescentam sabores diferentes (como o leite por exemplo). Isso é o que conhecemos como chocolate. A partir dessa composição dos ingredientes, muitos tipos diferentes de chocolate são produzidos! Vejamos quais são os tipos de chocolate mais comuns existentes no mercado e as características de cada um:

Chocolate amargo

Produzido pela trituração das favas, possui também como ingredientes manteiga de cacau, açúcar e lecitina de soja (uma espécie de estabilizante que torna a mistura homogênea). A seu favor, a concentração e cacau no chocolate amargo fica entre 60 e 85%; consequentemente, esse chocolate possui menos adição de açúcar e gordura. O chocolate amargo é o mais recomendado quando se trata de aproveitar as propriedades nutritivas do cacau.

Chocolate meio amargo

A principal diferença entre o chocolate amargo e o meio amargo está na porcentagem de concentração de cacau: aqui, a concentração fica em torno de 45% a 50%.

Chocolate ao leite

Tem pouquíssima presença de cacau em sua composição (apenas entre 25% a 40%), sendo que entre 60% a 75% de seus ingredientes dividem-se entre açúcar, manteiga de cacau, leite, soro lácteo, emulsionante e aromas. Portanto, pouco se pode absorver dos elementos do cacau.

Chocolate branco

Temos aqui o tipo de chocolate mais pobre e o menos indicado quando falamos em benefícios nutricionais. Isso porque o chocolate branco não leva massa de cacau, apenas açúcar, manteiga de cacau e leite. Sem o cacau, o chocolate branco perde completamente todos os possíveis benefícios para a saúde.

Chocolate orgânico

O que diferencia e coloca o chocolate orgânico como mais benéfico à saúde é o fato de ele ser produzido sem a adição de fertilizantes, herbicidas ou pesticidas sintéticos15, conforme a lei brasileira que regulamenta a agricultura orgânica. Além disso, o chocolate orgânico não utiliza ingredientes como leite, glúten e gordura trans, otimizando ainda mais os efeitos benéficos do cacau16. Com fartura de antioxidantes, o chocolate orgânico é considerado um superalimento, saudável e funcional.

Chocolate sem lactose e sem leite

Atualmente existem no mercado chocolates destinados ao público que possui intolerância à lactose, os chamados chocolates lac-free ou zero lactose. É importante salientar que esses chocolates jamais devem fazer parte da dieta de pessoas alérgicas ao leite, pois embora se destinem ao consumo das pessoas que são intolerantes à lactose, eles ainda contém leite, ou seja, apresentam em sua composição as proteínas causadoras da alergia ao leite. Qualquer quantidade de leite presente nesses chocolates zero lactose pode provocar reações alérgicas graves.
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Para o público dos alérgicos já há a oferta de alguns chocolates inteiramente livres de leite. Procure ler com calma o rótulo do produto e, na dúvida, acesse o SAC do fabricante para saber se a pessoa que é alérgica pode ou não consumir o alimento.

Benefícios do chocolate

Quando nos referimos aos benefícios de consumir chocolate, devemos nos ater a questões como quantidade, qualidade e tipo de chocolate, para assim usufruirmos de seus fatores benéficos.

Para que isso ocorra, é necessário que o chocolate tenha em sua composição, cerca de 70% de pó de cacau1, o que já o configura como sendo o tipo designado como chocolate amargo.

O consumo moderado e ideal do chocolate limita-se a 30 gramas por dia, o que equivale a dois bombons ou um pequeno tablete do alimento2.

Vejamos alguns dos principais benefícios apontados atualmente como proporcionados pelo chocolate:

Melhora do humor: uma substância chamada feniletilamina seria a responsável por despertar a alegria e o bom humor após aquele chocolatinho ingerido pela tarde, pois tem o poder de barrar o pico de cortisol – o hormônio relacionado ao estresse2;

Maior disposição: flavonóis, teobromina e cafeína consumidos de forma consciente na ingestão do chocolate propiciam às pessoas maior concentração, atividade e disposição3;

Sensação de bem-estar: graças a algumas substâncias como o triptofano, há o aumento da produção de serotonina, um neurotransmissor relacionado com o prazer e o bem-estar. O resultado é que se reduz desde sintomas de fadigas crônicas até mesmo TPM e estresse em geral3.

Diminuição do peso: de acordo com alguns estudiosos, o chocolate pode inclusive inibir o apetite, devido ao aumento da leptina, que pode acarretar a perda de peso.

Diminuição dos riscos de doenças cardiovasculares: sobretudo no chocolate amargo, os flavonóis presentes no alimento diminuem riscos de doenças cardíacas4 devido a capacidade antioxidante apontada em alguns estudos.
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Ação anti-inflamatória: outro ponto positivo para o cacau consequentemente, para o chocolate, diz respeito a sua atividade anti-inflamatória, sobretudo em questões gástricas5.

Melhora na circulação: o chocolate amargo ajuda a restaurar a flexibilidade das artérias ao mesmo tempo que impede que os leucócitos se acumulem nas paredes dos vasos sanguíneos, ambas causas comuns de entupimento das artérias6.

Redução do colesterol: o consumo de cacau vem se mostrando um importante redutor dos níveis do LDL (mau colesterol) e no aumento do HDL (bom colesterol), diminuindo os riscos de doenças cardiovasculares6.

Prevenção do diabetes: por mais estranho que possa parecer, o consumo de cacau vem se mostrando benéfico na melhora da sensibilidade à insulina. Portanto, o chocolate amargo, consumido com moderação, pode impedir ou retardar o aparecimento de diabetes6.

Problemas do excesso de consumo

Por outro lado, se temos os benefícios, o uso inadequado do chocolate na dieta alimentar poderá acarretar numa série de malefícios, por meio de efeitos colaterais a longo e médio prazo. Nos chocolates com maior teor de gordura e açúcar (branco e ao leite), estes efeitos são ainda piores.
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É importante também salientarmos a diferença nutricional entre chocolate branco, ao leite e amargo. O chocolate branco, por exemplo, não possui massa de cacau (apenas manteiga de cacau), o que o torna um chocolate pobre em nutrientes. O chocolate ao leite possui quantidade de cacau pequena e alto teor de gordura e açúcar, o que o limita muito quando se fala em aproveitar os benefícios do cacau. Já o chocolate amargo, por seu alto teor de cacau e menor quantidade de açúcar e gordura, é o mais recomendado quando nos referimos à riqueza nutricional que o chocolate possui. Além disso é importantíssimo verificar o rótulos dos produtos pois há uma enorme diferença de produto para produto com relação ao teor e ao tipo de gorduras utilizadas na confecção de cada marca de chocolate17.

Entre os principais riscos à saúde apontados pelos especialistas quando o chocolate é consumido em demasia temos3:

  • Diarreia
  • Azia
  • Agitação
  • Insônia
  • Aumento de peso
  • Formação de cálculos renais
  • Dor de cabeça
  • Dilatação das veias cerebrais1

Além disso, problemas no fígado também podem ocorrer em decorrência do consumo exacerbado do chocolate7, com o aparecimento de sintomas como enjoos, vômitos, tontura e cansaço.

Entre muitos estudos apontando os benefícios do chocolate, há um8 que chama a atenção por indicar os riscos do consumo. Ele aponta uma relação entre o consumo diário de chocolate e a perda da densidade óssea em mulheres mais velhas. Embora a pesquisa conclua afirmando que são necessárias novos estudos para confirmar esses resultados, ela sugere que essa confirmação pode ter implicações importantes na prevenção da osteoporose.

Conclui-se, portanto, que a melhor maneira de evitar os efeitos colaterais do chocolate é equilibrar e dosar o seu consumo.

A ciência se debruça sobre o chocolate

Notadamente a perspectiva do consumo do chocolate mudou para os profissionais que hoje advogam em prol dos benefícios encontrados no consumo deste alimento. Tal alternância de

ponto de vista se deve principalmente ao fato das recentes descobertas científicas, sobretudo atribuídas à fonte primária do chocolate, o cacau.

Oriundo da árvore cujo o nome científico é Theobroma cacao Linné, o nosso popular “cacau” tem sido objeto constante de estudos que revelam uma série de benesses decorrentes de sua ação no organismo.
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Cacau no tratamento de lesão vascular

Dentre a extensa gama de estudos que indicam os efeitos fitoterápicos do cacau, um que chama a atenção diz respeito a seus princípios ativos na questão da pressão arterial em pacientes portadores de diabetes, onde ele exerce efetivamente efeitos terapêuticos quando utilizado em tratamentos de lesões vasculares9. De acordo com o estudo:

“Os efeitos benéficos dos flavonoides são atribuídos à sua habilidade de melhorar a função endotelial, através da ativação do sistema de síntese do óxido nítrico (NO), suas propriedades antioxidantes naturais, e sua habilidade de diminuir a coagulação sanguínea, inibindo a ativação e agregação das plaquetas”.

Melhora da memória

Recentemente novas pesquisas apontaram que o cacau em sua versão in natura é capaz de melhor a função cerebral e cognitiva. Um estudo feito pela Columbia University Medical Center10 comprovou que adultos entre 50 e 69 anos submetidos ao consumo de flavonoide, demonstraram significativa melhora cognitiva e de memória. Tais comprovações recentes atribuíram ao cacau, o status de superfruta11.

Além da questão da memória, a questão antioxidante exercida pelo cacau na saúde tem sido tema de estudos aqui no Brasil, mais precisamente na UNICAMP (Universidade de Campinas), que aborda os benefícios dos polifenóis e flavonoides à saúde12.

Embora para muitas pessoas os benefícios do cacau seja novidade, as atribuições terapêuticas do uso do cacau já são bem antigas. 1600 aC é o ano em que se indica o primeiro uso terapêutico do cacau, enquanto as primeiras evidências positivas do uso do cacau foram notadas numa população da tribo chamada índios kuna, situada no Panamá, onde foi comprovada baixa incidência de HAS (hipertensão arterial sistêmica)4.

Questões cardiovasculares

Outro ponto importante que os cientistas revelaram foram estudos referentes aos efeitos do cacau relativos às questões cardiovasculares.

Um estudo prospectivo que acompanhou mulheres na menopausa entre os anos de 1986 e 2010 (Iowa Women’s Health Study) demonstrou que mulheres na fase da menopausa reduziram o risco de morte decorrente de doenças cardiovasculares em razão do consumo de flavonoides4. Já na Holanda, segundo resultados do Zutphen Elderly Study feito em homens idosos e saudáveis, os voluntários submetidos a maior consumo de cacau tiveram diminuição maior de risco de mortes cardiovasculares.

Estes estudos concluem que o cacau presente no chocolate, desde que respeitada a devida porcentagem, garante resultados benéficos à saúde, seja atuando no sistema antioxidante, seja melhorando a função plaquetária, ou até mesmo no controle da pressão arterial e sensibilidade à insulina, com a melhora da memória e resultado efetivo no tratamento de lesões vasculares, entre outros benefícios.

Benefícios à gestação e prevenção contra o envelhecimento da pele

Até mesmo as gestantes estão sendo favorecidas pelos estudos acerca do chocolate. Ao menos segundo um dos mais recentes, apresentado na Pregnancy Meeting of the Society for Maternal-Fetal Medicine, em Atlanta – EUA, onde concluiu-se que comer 30 g de chocolate todos os dias durante a gravidez pode beneficiar o crescimento e desenvolvimento fetal13. É importante enfatizar que o chocolate consumido pelas mulheres foi o chocolate amargo (dark chocolate).

Além disso, pesquisa recente aponta que o consumo de extrato de cacau pode proteger contra o fotoenvelhecimento (envelhecimento da pele) reduzindo a formação de rugas14.

Referências

1 Minha Vida. Chocolate: o poderoso antioxidante protetor do coração.
2 Zero Hora. Saiba quais são os tipos de chocolate e seus benefícios para a saúde.
3 Globo. Médico de SE explica benefícios do chocolate e riscos do excesso.
4 Revista Hospital Universitário Pedro Ernesto. Chocolate e os benefícios cardiovasculares.
5 Braz. J. Food Technol. Polifenóis em cacau e derivados: teores, fatores de variação e efeitos na saúde.
6 The Telegraph. Chocolate: 10 health reasons you should eat more of it.
7 Tua Saúde. Efeitos do chocolate no fígado.
8 Am J Clin Nutr. Chocolate consumption and bone density in older women.
9 Revista Salusvita. Efeito do pó do cacau (theobroma cacao) e seus princípios ativos na pressão arterial de portadores do diabetes mellitus tipo II.
10 Globo. O poder antioxidante do cacau: quais são os benefícios para a nossa saúde?
11 Chem Cent J. Cacao seeds are a “Super Fruit”: A comparative analysis of various fruit powders and products.
12 Biblioteca Digital da Produção Intelectual e Científica da Unicamp. Polifenóis em cacau e derivados: teores, fatores de variação e efeitos na saúde.
13 Medical News Today. Eating chocolate during pregnancy may benefit fetal growth, development.
14 J Invest Dermatol. Oral Supplementation with Cocoa Extract Reduces UVB-Induced Wrinkles in Hairless Mouse Skin.
15 Os benefícios do chocolate com caucau orgânico
16 Qual a diferença entre chocolate orgânico e não orgânico?
17 Chocolate ao leite x Meio Amargo x Amargo.